A falta de manutenção do filtro de cabine pode comprometer a qualidade do ar dentro do carro, favorecer o desconforto ao dirigir e até aumentar riscos nas estradas. O alerta é de Vittória Gabriela, criadora do Dona Meu Destino, que destaca a importância de cuidados simples com o sistema de ventilação e com a manutenção preventiva do veículo.
Filtro de cabine e qualidade do ar no carro
O filtro de cabine retém parte da poeira, do pólen e de outras partículas que poderiam entrar no interior do automóvel pelo sistema de ventilação. Segundo o texto-base, um estudo publicado em 2026 no Journal of Hazardous Materials observou, em testes laboratoriais, que o acúmulo de determinados resíduos vegetais nos filtros favoreceu em mais de 40% a sobrevivência de duas espécies bacterianas: Escherichia coli e Staphylococcus aureus.
Além disso, a manutenção do sistema de ventilação também interfere no controle da temperatura dentro do veículo. Uma revisão científica publicada em 2026 na revista Applied Thermal Engineering, que reuniu 103 estudos sobre as condições internas dos automóveis, apontou que o calor excessivo pode prejudicar o desempenho de quem dirige. Em experimentos controlados analisados pelos pesquisadores, temperaturas entre 28 °C e 30 °C estiveram associadas a uma queda de 15% a 21% no desempenho em tarefas avaliadas, em comparação com ambientes entre 22 °C e 24 °C.
“Quando a filtragem não é adequada, partículas de poeira e poluentes presentes no trânsito podem entrar no veículo. Já o uso prolongado da recirculação do ar, embora reduza a entrada dessas partículas, pode favorecer o acúmulo de gás carbônico liberado pela respiração dos ocupantes. Em concentrações elevadas, esse gás pode contribuir para sonolência, dor de cabeça e dificuldade de concentração, condições que merecem atenção de quem está ao volante”, explica Vittória Gabriela, criadora do Dona Meu Destino, comunidade que reúne quase 1 milhão de seguidores nas redes sociais e compartilha orientações sobre mecânica, manutenção e segurança automotiva, principalmente para mulheres.
Como identificar sinais de que o filtro precisa de troca
Vittória também explica que, quando o filtro está muito sujo ou obstruído, a distribuição do ar frio pode ficar comprometida. Nesse caso, o resfriamento do interior do veículo tende a ficar mais demorado e, em algumas situações, o desembaçamento dos vidros também pode ser prejudicado, o que afeta a visibilidade do motorista.
“Por isso, é um cuidado que envolve tanto o bem-estar quanto a segurança”, afirma.
Entre os sinais que podem indicar a necessidade de verificação, ela cita cheiro de mofo ao ligar o ar-condicionado, ventilação mais fraca e demora para desembaçar os vidros. A troca do filtro costuma ser recomendada entre 10 mil e 15 mil quilômetros ou em intervalos de seis meses a um ano, dependendo do veículo e das condições de uso. A orientação do fabricante, porém, deve prevalecer.
A atenção ao filtro de cabine faz parte de um conjunto mais amplo de manutenção preventiva. Pneus desgastados, palhetas danificadas, alterações na frenagem e luzes de advertência no painel também podem indicar problemas que precisam de avaliação.
“São sinais que o próprio motorista consegue observar, mesmo sem conhecimento aprofundado de mecânica”, diz.
Conhecida por ensinar mulheres a cuidar dos próprios carros com mais autonomia e segurança, Vittória compartilha orientações práticas com mulheres de todo o Brasil. “Não precisamos ser mecânicas para cuidar bem dos nossos carros. Podemos começar verificando a pressão dos pneus, observando o desgaste da borracha e conferindo os níveis de alguns fluidos. O objetivo é conseguir identificar sinais de problemas, prevenir situações de risco e ter mais segurança tanto ao dirigir”, afirma Vittória.
Segundo dados citados no texto-base, o Brasil reúne mais de 30 milhões de mulheres habilitadas. Para a criadora do Dona Meu Destino, compreender os cuidados básicos com o veículo ajuda motoristas a participar das decisões sobre manutenção, avaliar orientações recebidas nas oficinas e planejar os gastos com reparos.
“Quando temos conhecimento, conseguimos tomar melhores decisões, reconhecer sinais de alerta e agir de maneira preventiva”, conclui.