Carros usados populares sustentaram a alta de 0,15% do IBV Auto em outubro, enquanto modelos de maior valor recuaram, em um cenário de desaceleração gradual dos preços no mercado brasileiro. Em 12 meses, a valorização chegou a 4,91%, abaixo da taxa observada em setembro.
De acordo com o índice do banco BV, os preços dos automóveis leves usados avançaram metade do ritmo registrado no mês anterior, quando a alta havia sido de 0,30%. No acumulado do ano, o indicador soma elevação de 4,02%, abaixo dos 4,42% verificados no mesmo período de 2025.
Modelos populares mantêm o mercado em alta
Entre os veículos que mais contribuíram para o resultado positivo de outubro estão Ford Fiesta (+4,83%), Fiat Uno (+3,37%) e Volkswagen Fox (+2,92%). Na direção oposta, Toyota Corolla (-1,33%), Jeep Renegade (-1,74%) e Chevrolet Tracker (-2,01%) puxaram o índice para baixo.
Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, o comportamento reflete fatores econômicos e setoriais. “O ritmo mais moderado da atividade e a concorrência com os veículos novos ajudam a conter os reajustes no mercado de usados. Mas esse movimento não é uniforme: os modelos populares mais antigos ainda sustentam parte da alta, enquanto os de maior valor enfrentam maior pressão competitiva. O resultado é uma inflação mais baixa nesse mercado, embora os preços ainda avancem no agregado”.
Diferenças regionais e pressão sobre elétricos
No recorte regional, o Norte registrou a maior alta em outubro, de 0,54%, enquanto o Sul teve a maior queda, de 0,33%. Ao todo, 19 das 27 unidades da Federação apresentaram aumento nos preços dos veículos usados. Mato Grosso liderou as altas, com avanço de 1,09%, e Minas Gerais teve a maior retração, de 0,82%.
Na análise dos últimos 12 meses, as maiores altas ocorreram no Rio de Janeiro (+6,24%), em Alagoas (+6,12%) e em Sergipe (+5,98%). Já Espírito Santo (+2,89%), São Paulo (+2,91%) e Pará (+3,09%) mostraram as menores variações.
Segundo Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, a composição das negociações ajuda a explicar as diferenças entre as praças. “O mercado de usados reúne veículos de diferentes faixas de preço, com condições de oferta e concorrência próprias. A composição das negociações em cada região ajuda a explicar as diferenças nos resultados”, afirma. “A expectativa é que a acomodação dos preços continue até o fim do ano, com comportamentos distintos conforme o modelo e o segmento.”
O banco BV também informou que os veículos elétricos seguem com a maior desvalorização entre os usados. Entre os modelos ano 2023, a perda acumulada até outubro de 2026 chegou a 47,24%, ante 29,12% dos híbridos e 23,34% dos veículos a combustão comparáveis.
Embora os elétricos mantenham a maior desvalorização acumulada, o banco observou piora recente entre híbridos e veículos a combustão, o que indica pressão também sobre outros tipos de propulsão.