O estudo da MegaDealer projeta que um em cada três veículos vendidos no Brasil será eletrificado até 2030, com participação de 33% nas vendas totais do mercado nacional. A previsão integra o “Relatório de Tendências Dealers”, apresentado por Fábio Braga, Country Manager da empresa, em São Paulo, e reúne análises produzidas ao longo de três meses com a colaboração de mais de 20 especialistas.
Segundo o levantamento, a expansão dos eletrificados acompanha o avanço das marcas chinesas no país. No primeiro semestre, as vendas desse segmento cresceram 134% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em agosto, a categoria chegou a 24,3% de participação no varejo. Já no acumulado de 1º de janeiro a 31 de agosto de 2026, a Fenabrave registrou 371.231 veículos leves eletrificados emplacados, o equivalente a 19,7% de todos os automóveis e comerciais leves vendidos no período.
Os dados também mostram o protagonismo de modelos de origem chinesa no mercado brasileiro. O BYD Dolphin Mini liderou entre os veículos 100% elétricos, com 51.225 unidades emplacadas no acumulado do ano, o que o colocou na 6ª posição entre os carros de passeio e na 10ª colocação no total de veículos leves. O BYD Song, SUV híbrido, ficou em 9º lugar entre os automóveis, com 45.075 unidades, enquanto o GWM Haval H6 alcançou a 17ª posição, com 32.242 unidades.
Eletrificados avançam e pressionam o mercado
O relatório aponta que, em agosto, os três veículos mais vendidos no varejo foram modelos eletrificados de origem chinesa. Essa concorrência pressiona a precificação dos veículos zero-quilômetro e afeta o valor residual de seminovos e usados, com impacto direto sobre custos operacionais e contratos de locação de frotas e serviços por assinatura.
“Nós estamos passando por uma situação única no mercado brasileiro. Para quem está há bastante tempo no setor automobilístico, é algo inédito. Não víamos isso acontecer nos últimos 20 anos. E é importante ressaltar que o que funcionou no passado não garante os resultados futuros. Por esta razão, são necessários ajustes diretos dos concessionários em seus modelos operacionais”, explicou Fábio Braga.
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Transformação digital muda a rotina das concessionárias
O estudo também destaca mudanças no comportamento do consumidor e no funcionamento das lojas físicas. O fluxo diário de visitas às concessionárias caiu de 5 para 1,8 cliente por ponto de venda. Ao mesmo tempo, 70% dos compradores realizam pesquisas aprofundadas em plataformas digitais antes de ir à loja, e 65% usam um veículo usado como parte do pagamento.
Essa alteração muda a atuação do vendedor, que deixa de apenas apresentar especificações técnicas e passa a atuar como facilitador e consultor da negociação. Além disso, o número de concessionárias no país subiu de 5 mil para mais de 8,4 mil unidades, impulsionado pela chegada de novas montadoras e pela Lei Ferrari, que preserva a separação entre produção e distribuição de veículos no Brasil.
Diante da pressão sobre as margens na venda de carros novos, o relatório aponta o fortalecimento das operações de Financiamento e Seguro (F&I) e dos serviços por assinatura como fontes essenciais de receita. No país, a penetração de produtos de F&I varia entre 20% e 30%, abaixo dos 40% a 60% observados no mercado norte-americano. Já o setor de veículos por assinatura deve movimentar R$ 2,8 bilhões e crescer 47% em relação a anos anteriores.
No campo da tecnologia, 80% das empresas do varejo automotivo já usam ferramentas de inteligência artificial. Entre as aplicações citadas estão o agendamento automatizado de serviços na oficina, com redução de até 40% no tempo de atendimento no pós-venda, e os scanners panorâmicos com visão computacional para diagnósticos preventivos de lataria, pneus e componentes do chassi.
O relatório também chama atenção para a rotatividade nas equipes. Segundo o estudo, 25% dos profissionais de vendas deixam suas posições a cada mês em busca de redes com portfólios mais competitivos.
“A prioridade das operações deixa de ser a negociação isolada de preços e passa a ser a experiência do cliente dentro do canal de distribuição. Isso envolve a retenção de profissionais qualificados e a oferta de processos sem atrito no ecossistema físico e digital”, declarou Fábio Braga.
