Carros elétricos pressionam redes prediais e mudam a engenharia preventiva em condomínios de alto padrão

A expansão dos carros elétricos no Brasil já pressiona as redes prediais e leva o setor imobiliário a rever a engenharia preventiva desde a fundação dos empreendimentos. No primeiro semestre de 2026, o país registrou 215 mil veículos leves comercializados, alta de 125%, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Esse avanço, porém, expõe um novo desafio para municípios e condomínios: a capacidade energética dos edifícios e o impacto do consumo simultâneo sobre as redes de distribuição urbana. Em regiões como Santa Catarina, onde a frota eletrificada cresceu 50% em apenas um ano, a adaptação tardia pode gerar impasses técnicos, riscos às instalações e discussões sobre a divisão da conta de luz coletiva.

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  • Como a engenharia preventiva responde à demanda elétrica

    Para evitar improvisos que sobrecarregam transformadores locais, incorporadoras de alto padrão passaram a adotar projetos elétricos planejados desde o início. A estratégia inclui subestações privativas, redes balanceadas e medição individualizada, com foco na integridade patrimonial do condomínio e na proteção da rede pública contra oscilações abruptas de demanda.

    Em Itapema, no litoral catarinense, o empreendimento Sunny Coast, da J.A. Russi, segue essa diretriz. O projeto prevê pontos de recarga veicular dedicados por apartamento e medição independente vinculada ao quadro de luz de cada unidade, solução que elimina conflitos tarifários entre condôminos e isola tecnicamente o consumo do veículo.

    “A transição para os veículos elétricos é irreversível, e não pode mais ser feita às custas de improvisos que comprometem a infraestrutura predial ou que transfiram custos para a coletividade do condomínio. Quando um edifício nasce com o dimensionamento elétrico planejado para a carga veicular e dispõe de medição individual, nós preservamos a estabilidade da rede local, mitigam os riscos elétricos e oferecemos uma solução tecnicamente segura tanto para os moradores quanto para a cidade”, pontua Suzana de Fátima Russi Chiamenti, CEO da J.A. Russi.

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    Recarga dedicada, autonomia e soluções para edifícios de luxo

    Além da infraestrutura de recarga, o Sunny Coast integra o sistema Living Energy, uma central de geração dimensionada para manter a autonomia operacional do edifício em eventuais quedas de energia da concessionária. A tecnologia garante o funcionamento de sistemas críticos, como bombas de recalque de água, combate a incêndio, segurança perimetral, climatização e elevadores.

    O empreendimento, de frente para o mar, tem VGV de R$ 210 milhões, 55 unidades residenciais com plantas de até 597 m² e valores de cerca de R$ 9 milhões. O projeto também inclui fachada ventilada, que reduz a carga térmica interna, e captação de água da chuva. Segundo a empresa, a modelagem de engenharia elétrica preventiva já aparece em outros desenvolvimentos da marca, como o Saint John e o High Tower.

    Fundado em 1989, o Grupo J.A. Russi reúne empresas de Santa Catarina e atua em empreendimentos de alto padrão e centros comerciais. A companhia afirma ter entregue 34 projetos, com mais de 1.500 apartamentos e mais de 500 mil m² construídos, com presença em Itapema, Balneário Camboriú e Itajaí (Praia Brava).

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