Seguro auto ainda vale a pena mesmo com pequenos acidentes mais caros

O seguro auto continua em alta no mercado brasileiro porque, hoje, até pequenas colisões podem gerar prejuízos maiores do que o valor de uma apólice anual. O aumento no preço das autopeças, a valorização dos veículos e a tecnologia embarcada elevam o custo de reparos e reforçam a importância da proteção financeira para motoristas.

De acordo com Mayara Xavier, gerente da Saga Seguros, o seguro automotivo deixou de ser apenas uma resposta a roubo e furto. “O seguro automotivo continua sendo uma das principais ferramentas de proteção financeira. Hoje, um pequeno acidente pode gerar um prejuízo muito superior ao valor pago pela apólice ao longo de um ano, principalmente por causa do aumento do custo das peças e da tecnologia presente nos veículos”, explica.

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  • Dados do setor indicam que o Seguro Auto movimentou cerca de R$ 61,6 bilhões em prêmios em 2025, com expectativa de crescimento de 7,7% em 2026. Apesar disso, a penetração do produto segue baixa: cerca de 70% da frota brasileira circula sem cobertura, o que deixa milhões de motoristas expostos a despesas inesperadas.

    Por que o seguro auto pesa menos que um reparo simples

    Além do risco de roubo, o motorista enfrenta hoje o custo das pequenas colisões do dia a dia. Um farol full LED pode custar entre R$ 3 mil e R$ 7 mil, enquanto um para-choque com sensores supera R$ 5 mil. Assim, uma batida aparentemente leve pode consumir rapidamente o orçamento de uma família.

    O impacto também cresce quando há terceiros envolvidos. Nesses casos, o proprietário do veículo pode ter de pagar reparos do outro carro, danos corporais, carro reserva e até despesas judiciais. Sem cobertura, esse valor sai integralmente do bolso do motorista.

    Mayara observa que o consumidor mudou o comportamento de compra. “Antes o cliente pensava no seguro para se proteger contra roubo. Hoje ele contrata pensando na batida do dia a dia. Uma colisão aparentemente simples pode gerar um prejuízo superior ao valor de um ano inteiro de seguro”, afirma.

    Como o consumidor ajusta a cobertura sem perder proteção

    Diante da inflação e dos juros elevados, muitas famílias passaram a buscar alternativas para manter a proteção sem comprometer o orçamento. Nesse cenário, cresce a procura por planos mais enxutos, com retirada de itens considerados secundários e manutenção das coberturas essenciais.

    “Quem precisa reduzir despesas normalmente não deixa de fazer seguro. O que acontece é uma migração para coberturas mais básicas, com franquia maior ou sem adicionais como carro reserva e proteção para vidros. Assim, o cliente continua protegido contra os principais riscos pagando menos”, diz a gerente da Saga Seguros.

    Segundo ela, a personalização ganhou força em 2026. Muitos consumidores mantêm proteções para roubo, furto, perda total e danos a terceiros, mas abrem mão de serviços adicionais. Em alguns casos, essa escolha reduz de forma relevante o valor da apólice.

    Mesmo para veículos mais antigos ou de menor valor, a orientação é não ficar totalmente desprotegido. “Quando o seguro compreensivo deixa de fazer sentido financeiro, orientamos a contratação de uma cobertura reduzida, voltada para roubo, furto, perda total, terceiros e assistência 24 horas. Dependendo do perfil, ela pode custar até 40% menos que uma apólice completa”, destaca.

    A recomendação, portanto, é avaliar o seguro não apenas pelo preço, mas pela capacidade de absorver um prejuízo inesperado. Veículos financiados, carros de maior valor e motoristas que dependem do automóvel na rotina estão entre os perfis que mais se beneficiam da contratação.

    “O seguro deve ser visto como proteção financeira e não como um gasto evitável. Você transforma um risco de dezenas ou até centenas de milhares de reais em um custo previsível, parcelado e planejado”, ressalta Mayara. “Preço é importante, mas não pode ser o único critério. O seguro mais barato pode acabar sendo o mais caro quando ocorre um sinistro.”

    Para os próximos anos, o setor aposta em produtos mais flexíveis, contratação digital e soluções adaptadas ao perfil de cada motorista, com o objetivo de ampliar o acesso e tornar o seguro mais acessível sem abrir mão da proteção.

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