A GWM realizou no Brasil o primeiro transporte de carga com caminhão a hidrogênio da América Latina. Em sua primeira rodagem com carga no país, o veículo da GWM Hydrogen tracionou uma cegonheira carregada com carros e SUVs eletrificados da própria marca, em um trajeto que saiu do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária da USP, com destino ao Autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Primeira operação em condição real no Brasil
A operação marcou também a primeira demonstração do caminhão em uma situação real de transporte de carga em território brasileiro. Depois de concluir o percurso, o veículo ficou disponível no dia 26 para test-drive da imprensa e convidados, durante o Festival de Interlagos.
Segundo a empresa, esta iniciativa inaugura uma nova etapa dos esforços para avançar em soluções de transporte pesado com emissão zero. “Estamos falando de uma tecnologia que une o melhor dos dois mundos: a robustez e confiabilidade de um caminhão elétrico e a autonomia proporcionada pelo hidrogênio verde com um processo de abastecimento rápido e zero emissão do tanque à roda”, destacou Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen Brasil.
Como funciona o caminhão a hidrogênio
Desenvolvido pela GWM Hydrogen, o caminhão é elétrico e movido por célula a combustível (FCEV). O sistema usa o hidrogênio armazenado nos cilindros e o oxigênio do ar para gerar eletricidade a bordo, que alimenta o motor elétrico. Nesse processo, a emissão no escapamento se limita a vapor d’água (H2O).
O modelo traz bateria de 105 kWh e cilindros de fibra de carbono com capacidade para armazenar até 40 kg de hidrogênio a uma pressão de até 350 bar. Além disso, conta com sistema de recuperação de energia nas frenagens e desacelerações, recurso útil em situações como descidas de serra.
O conjunto entrega até 400 kW (544 cv) de potência e 2.700 Nm de torque. Com os cilindros abastecidos, a autonomia pode chegar a 500 km, enquanto o reabastecimento ocorre em poucos minutos. O sistema também permite operação contínua por mais de dez horas.
O caminhão tem Peso Bruto Total (PBT) de 49 toneladas e peso vazio de 10,8 toneladas, cerca de 500 kg abaixo da média dos concorrentes. Na prática, essa redução amplia a capacidade útil de carga sem comprometer a robustez estrutural necessária ao transporte pesado.
Como não utiliza combustão para gerar energia, a tecnologia apresenta zero emissão local de gases de efeito estufa e de poluentes associados aos motores convencionais, como NOx, hidrocarbonetos (HC), monóxido de carbono (CO) e material particulado.
A confiança da GWM na introdução dessa tecnologia no mercado brasileiro se apoia na experiência da FTXT, subsidiária da marca na China responsável pelo desenvolvimento de tecnologias de célula a combustível e componentes para aplicações com hidrogênio. Fora do país asiático, a companhia usa a marca GWM Hydrogen.
Atualmente, mais de 30 mil veículos com tecnologias semelhantes já circulam na China. Entre as operações de destaque, a FTXT colocou mais de 500 novos caminhões a hidrogênio em operação na cidade de Baoding, superando 2.000 unidades em circulação. Somente em 2025, foram mais de 1.000 novos veículos.
Os veículos são projetados para operar em condições severas. As células a combustível suportam partidas a frio em temperaturas de até -30°C, além das exigências de longa autonomia e elevada carga útil típicas dos caminhões pesados.
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Parceria com o IPT e próximos passos
A primeira operação de transporte de carga também contou com a parceria entre a GWM e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que viabiliza testes e estudos conjuntos sobre segurança, desempenho e viabilidade da aplicação do hidrogênio em veículos pesados.
O Laboratório de Hidrogênio do IPT possui duas Hydrogen Refueling Stations (HRS): uma de 700 bar para veículos leves e outra de 350 bar para veículos pesados. Com essa estrutura, a GWM passa a contar com um local para abastecer o caminhão a hidrogênio em São Paulo, o que ajuda a acelerar a viabilização do projeto no país.
O acordo entre GWM e IPT também abre espaço para novas frentes de pesquisa e desenvolvimento, incluindo testes de tanques de alta pressão e estudos de segurança e eficiência energética. A colaboração segue as diretrizes do Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), que incentiva o fortalecimento das bases tecnológicas e a cooperação entre setor público e privado.
“O hidrogênio é mais do que um vetor energético, se trata de um vetor de desenvolvimento social, ambiental e tecnológico para o Brasil. Trabalhar ao lado do IPT, uma das principais instituições de pesquisa do país, é um passo decisivo para tornar o caminhão a hidrogênio uma realidade no mercado nacional”, afirmou Davi Lopes.
Com essa primeira rodagem, a GWM inicia a avaliação prática da tecnologia no Brasil e avança na construção de um ecossistema de hidrogênio no país, combinando experiência internacional, pesquisa local e desenvolvimento tecnológico para contribuir com a transição para uma mobilidade mais limpa e sustentável.