Após maior chuva do ano, São Paulo tem regiões sem energia e árvores caídas

Durante o dia mais chuvoso do ano em São Paulo, com 69,3 mm de precipitação nesta terça-feira (08), a rede elétrica sofreu os maiores estragos de 2015. Ao menos 149 árvores caíram com o temporal na Grande São Paulo.

Segundo a Eletropaulo, 128 circuitos elétricos foram desligados, 70 deles simultâneos no pico da tempestade, número superior aos 103 circuitos afetados na pior chuva do verão, em 12 de janeiro. A Eletropaulo, no entanto, ainda não sabe informar quantos clientes ficaram sem luz.

De acordo com a companhia, 1.924 pessoas trabalharam na operação em todas as cidades atendidas. No início da tarde desta qurata-feira (9), as equipes se concentravam na troca de transformadores e postes, reconstrução das fiações, além da remoção de árvores arremessadas contra a rede, como nas ruas da Paz, em Santo Amaro, e Beta, no município de Jandira.

Na Vila Madalena, alunos da Escola Estadual Carlos Maximiliano Pereira dos Santos foram dispensados da aula.

O volume de chuva registrado nesta terça na cidade de São Paulo foi o maior para o mês de setembro desde o início das medições do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), em 1995. O índice de 69,3 mm é 3% maior que o esperado para todo o mês (67 mm).
Setembro de 2015 já tem, até o momento, registro de 86,6 mm de chuva, cerca de 30% acima da média histórica do mês na capital.

Além disso, o acumulado total de chuva na terça-feira foi o quinto maior contabilizado no período de 24 horas desde 1995. Outro recorde, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências, foi em relação ao volume de chuva registrado no inverno em 20 anos. O índice de terça-feira superou o volume de 8 de setembro de 2009, quando foram registrados 60,5 mm

Além da chuva, o CGE registrou rajadas de vento de 83 km/h no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, e de 50 km/h no Aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo.

Estragos

A forte chuva causou enchentes, derrubou árvores, deixou pessoas ilhadas, provocou congestionamento acima da média e o transbordamento de córregos.

Durante a maior parte da tarde, toda a cidade ficou em estado de atenção para alagamentos, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura. O município de Osasco, na Grande São Paulo, também foi afetado com as chuvas: diversas ruas ficaram alagadas, deixando moradores ilhados.

Ao menos 149 árvores caíram na Grande São Paulo após o temporal. Apenas na capital, foram 114 árvores.

O temporal ainda deixava reflexos nesta quarta-feira. Nas Ruas Alvinópolis, Zona Leste, e Aroaba, na Vila Leopoldina, Zona Oeste, funcionários das subprefeituras ainda tiravam pedaços de tronco e galhos do caminho. Na Rua Hayden, esquina com a Dr. Gastão Vidigal, também na Vila Leopoldina, uma árvore atingiu a lateral de uma concessionária, um ponto de táxi e um orelhão.

Um dos casos mais graves foi na Rua Rodésia, na Vila Madalena, na Zona Oeste. Uma pessoa ficou presa dentro do veículo após a queda de uma árvore. A vítima sofreu fratura no fêmur, foi retirada consciente e levada para um hospital.

Na Avenida Cupecê, a água ainda não tinha terminado de escoar nesta quarta-feira, por causa de uma obra da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Alagamentos

A Defesa Civil declarou estado de atenção para o risco de alagamentos em toda a cidade de São Paulo na tarde desta terça. Por volta das 17h, os córregos Ipiranga e dos Meninos, na Zona Sul, transbordou, alagando a Rua Abraão de Moraes com a Rua Ribeiro Lacerda.
A Subprefeitura do Ipiranga entrou, no horário, em estado de alerta. Desde a madrugada, a Prefeitura registrou, em toda a cidade, 29 pontos de alagamento, sendo 22 transitáveis e sete intransitáveis.

O Corpo de Bombeiros foi chamado para resgatar pessoas que ficaram ilhadas por causa de inundações. A primeira ocorrência foi registrada na Rua Quintino da Cunha, em Cidade Líder, bairro da Zona Leste de São Paulo. As quatro pessoas foram retiradas.

Caso semelhante foi registrado em Osasco. Um carro com duas pessoas foi arrastado pela correnteza na Avenida dos Autonomistas. Na cidade foram registrados pontos de alagamento intransitáveis também na Avenida Presidente Médici, no bairro Vila Baronesa, e na Avenida Cruzeiro do Sul, no Jardim Rochdale.

A corporação informou também que resgatou uma pessoa que se afogou no piscinão de São Bernardo do Campo, no ABC.

CPTM e Metrô

A circulação de composições da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foi afetada pela chuva. Três linhas operaram com velocidade reduzida e maior tempo de parada nas estações: 7-Rubi, 9-Esmeralda e 10-Turquesa.

No Metrô, as linhas 2-Verde, 3-Vermelha e 5-Lilas funcionavam com velocidade reduzida. A Estação Palmeiras-Barra Funda, da Linha 3, teve uma de suas saídas alagadas.

Trânsito

Apesar dos transtornos na rede elétrica, o trânsito fluiu normalmente na manhã de hoje. Às 8h30, a cidade registrava 72 km de vias congestionadas, número abaixo da média para o horário. Nenhum ponto de alagamento era registrado.

Aeroportos

O aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, operou durante a tarde com auxílio de instrumentos. O mesmo aconteceu com Congonhas, na Zona Sul da capital.
As rajadas de vento chegaram a 83 km/h às 17h no aeroporto de Guarulhos, de acordo com o CGE. Um pouco antes houve registro de ventos de 72 km/h na cidade.

Desabamento

Até as 18h, equipes dos bombeiros foram chamadas para sete desabamentos de muros, telhados e barrancos. Nenhuma delas teve vítimas.

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