A infraestrutura para caminhões a biometano ganhou novo impulso com o início das operações do Corredor Verde da TransJordano, em Sumaré (SP). Durante o evento, realizado em 7 de outubro, a Scania ressaltou que a disponibilidade de combustível nas rodovias é decisiva para ampliar o uso da tecnologia no transporte de cargas no Brasil.
Corredor Verde liga rotas estratégicas e amplia o abastecimento
O projeto cria um eixo de abastecimento de cerca de 450 quilômetros entre Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, com acesso à região do Porto de Santos. Segundo a TransJordano, o corredor foi desenhado para atender às necessidades da própria operação e, ao mesmo tempo, oferecer uma estrutura que outras transportadoras também possam utilizar.
André Gentil, gerente de Vendas de Soluções de Transporte a Frotistas da Scania Brasil, lembrou que a falta de pontos de abastecimento sempre apareceu como um dos principais obstáculos para a expansão dos caminhões a gás no país. Ao comentar o avanço do projeto, afirmou: “Existe tanto potencial de biometano no Brasil, mas ele ainda não chega aos postos e não consegue abastecer o caminhão”. Em seguida, ao observar a estrutura inaugurada pela TransJordano, destacou: “E olha hoje: ele está no posto”.
O cenário do setor ainda mostra desafios. Dados da Anfavea, divulgados pela imprensa especializada, indicam que os emplacamentos de caminhões a gás caíram 33,3% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, passando de 507 para 338 unidades. Ao mesmo tempo, a Scania anunciou em agosto uma previsão comercial de 750 caminhões a gás para 2026, considerando vendas realizadas e unidades em carteira. Embora as metodologias sejam diferentes, os números reforçam a necessidade de criar condições para a tecnologia avançar de forma consistente.
Projeto prevê frota dedicada e redução de emissões
Na TransJordano, o plano inclui 100 caminhões Scania G 460 6×4 movidos a biometano, com autonomia aproximada de 700 quilômetros, além de três pontos de abastecimento operados pela GarageLog, empresa do grupo. Os estudos começaram em junho de 2025, quando a transportadora passou a avaliar alternativas energéticas para a frota e identificou que a aquisição dos veículos exigia infraestrutura compatível com as rotas principais.
Jordano Bessa, diretor de Novos Negócios da TransJordano, explicou que o projeto nasceu dessa análise integrada. “Quando olhamos para isso, pensamos: a gente já tem um modelo de negócio; não é simplesmente abrir um novo ponto de abastecimento. Podemos olhar para a nossa malha viária, para os clientes que atendemos e ver o que é possível fazer”, afirmou. Ele também destacou a contribuição da experiência da GarageLog para a estruturação da iniciativa.
Com a frota completa, a TransJordano estima percorrer cerca de 5,5 milhões de quilômetros por ano com biometano, o que representa aproximadamente 17% da quilometragem anual da empresa. A expectativa é evitar cerca de 6.486 toneladas de CO₂ equivalente por ano, conforme indicadores do projeto submetidos à verificação independente da Bureau Veritas. A implantação ocorrerá de forma gradual, com o primeiro ponto em Sumaré, seguido por Ribeirão Preto, em novembro, e Cubatão, em dezembro de 2026.
Para Jordano Bessa, o diferencial do Corredor Verde está na possibilidade de oferecer ao mercado uma estrutura criada para a própria operação, mas aberta a outros clientes. “O que conseguimos oferecer hoje não é só para os nossos clientes, mas para o Brasil. Nosso lema é descarbonizar a logística brasileira”, afirmou. Ao reunir veículo, combustível renovável e abastecimento compartilhado, a iniciativa busca mostrar que a transição energética no transporte de cargas depende de soluções integradas.
A TransJordano, fundada em 1998 e com sede em Paulínia (SP), atua no transporte rodoviário de combustíveis, produtos químicos, granéis sólidos e cargas gerais. A empresa informa que conta com mais de 1.000 colaboradores e soma 10 anos sem acidentes de alto potencial controláveis.