Debêntures incentivadas voltadas para transporte e logística já respondem por 81,2% dos investimentos realizados no setor em 2025, segundo levantamento da Anbima. Entre 2020 e julho de 2026, essas emissões somaram R$ 145,9 bilhões captados via mercado de capitais, com R$ 9 bilhões emitidos apenas nos sete primeiros meses deste ano.
O volume destinado a transporte e logística só fica atrás das emissões voltadas a projetos de infraestrutura de energia elétrica. O avanço reforça o papel do mercado de capitais no financiamento de rodovias, ferrovias, portos e serviços logísticos em todo o país.
De acordo com o material divulgado pela Anbima, o setor de transporte e logística recebeu R$ 76,5 bilhões em investimentos no ano passado, o equivalente a 0,61% do Produto Interno Bruto. Para atender às necessidades de expansão e modernização da infraestrutura brasileira, seriam necessários R$ 282,5 bilhões por ano, ou 2,26% do PIB. A diferença estimada em R$ 206 bilhões expõe a distância entre o volume investido e a demanda anual do setor.
Essa lacuna ajuda a explicar a busca por fontes privadas de financiamento. Além das debêntures incentivadas, o setor também recorre a debêntures corporativas, notas comerciais e notas promissórias. Entre 2020 e 2025, as emissões de títulos de dívida somaram R$ 3,0 trilhões, dos quais R$ 262 bilhões foram destinados a empresas de transporte e logística.
Debêntures incentivadas e a pressão por mais infraestrutura
A Anbima afirma que o mercado de capitais se tornou um instrumento cada vez mais relevante para conectar investidores a projetos de longo prazo. Para Erika Lacreta, gerente de mercado de capitais da entidade, esse avanço depende de condições regulatórias e jurídicas adequadas.
“A dimensão dos investimentos necessários para ampliar e modernizar a infraestrutura do país exige a combinação de diferentes fontes de financiamento. Nesse contexto, o mercado de capitais tem desempenhado um papel cada vez mais relevante ao conectar investidores a projetos de longo prazo em setores estratégicos para a economia. Para que esse avanço continue, é fundamental contar com segurança jurídica, previsibilidade regulatória e instrumentos adequados às características de cada projeto”, afirma Erika Lacreta.
O impacto desses aportes vai além das obras. Segundo estimativas baseadas na matriz insumo-produto do IBGE, cada R$ 1 milhão investido em transporte, armazenagem e correio está associado à geração de 31,77 empregos, considerando efeitos diretos, indiretos e de renda. O cálculo inclui postos de trabalho nas operações de transporte, na construção e manutenção dos ativos, nos fornecedores e nos setores beneficiados pelo aumento da atividade econômica.
Perspectivas para rodovias, ferrovias e logística
A carteira de projetos prevista para os próximos anos indica que a demanda por financiamento deve continuar aquecida. O Ministério dos Transportes projeta cerca de R$ 400 bilhões em investimentos públicos e privados em ativos rodoviários e ferroviários até 2030.
Além disso, a expansão desse tipo de investimento se relaciona diretamente com a manutenção de rodovias, a integração entre regiões por ferrovias, o ganho de eficiência em portos e a ampliação de redes logísticas capazes de acompanhar o crescimento do e-commerce e a circulação de produtos essenciais.
O cenário também ocorre em meio a um semestre forte para o mercado de capitais. No primeiro semestre de 2026, as ofertas realizadas no país alcançaram R$ 368,5 bilhões, o maior volume para um primeiro semestre desde o início da série histórica da Anbima. Foram 1.518 operações, com destaque para as ofertas de renda fixa, que somaram R$ 295,5 bilhões.
Segundo a entidade, esse desempenho indica demanda por instrumentos capazes de financiar projetos de longo prazo e sustentar o avanço da infraestrutura brasileira.