A Fórmula 1 já aquece o turismo em São Paulo e também pressiona viagens de quem não vai à corrida. Segundo a Embratur, a cidade registra quase 15 mil reservas aéreas internacionais para o período do GP, entre 4 e 11 de novembro.
O aumento da demanda, porém, pode encarecer hotéis e transportes. Assim, viagens de negócios, deslocamentos corporativos e até roteiros sem relação com o evento podem sofrer impacto direto nos preços e na disponibilidade de serviços.
Alta demanda mexe com hotéis, voos e deslocamentos
O Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos deve intensificar a movimentação turística entre os dias 6 e 8 de novembro. De acordo com dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), a capital paulista já soma 14.933 reservas aéreas internacionais para o período de 4 a 11 de novembro, alta de 1,15% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Esse cenário ocorre em um evento que, na última edição, reuniu 303,6 mil espectadores e gerou impacto econômico de R$ 2,3 bilhões, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado pela Prefeitura de São Paulo. Além dos turistas, o GP mobiliza pilotos, equipes técnicas, patrocinadores e profissionais ligados à organização, o que amplia a procura por serviços antes e depois da corrida.
Segundo Luiz Moura, conselheiro de turismo da FecomercioSP e cofundador da agência digital de viagens corporativas VOLL, a pressão de preços acontece porque a oferta de voos e hotéis não cresce na mesma velocidade da demanda.
“Existe uma lógica econômica por trás desse movimento. A oferta de voos e hotéis é relativamente inelástica, ou seja, não consegue crescer rapidamente para acompanhar o aumento da procura. Quando milhares de pessoas precisam estar na mesma cidade, nos mesmos dias, a tendência é que os preços subam. E isso afeta também quem não tem nenhuma relação com o evento”, explica Moura.
Fórmula 1 e o efeito nas viagens corporativas
O especialista afirma que o impacto vai além do turismo de lazer. Em períodos de alta ocupação, hotéis podem deixar de oferecer tarifas corporativas negociadas, o que eleva os gastos das empresas mesmo sem mudança no padrão de hospedagem.
“A Fórmula 1 movimenta toda a cadeia do turismo e representa uma oportunidade importante para a hotelaria. Com o aumento da procura, os estabelecimentos podem trabalhar com tarifas diferentes das condições corporativas habituais. É uma dinâmica natural do mercado, que também mostra por que empresas e viajantes precisam considerar o calendário de grandes eventos na hora de planejar suas viagens”, explica Moura.
A mobilidade urbana também sente os efeitos. De acordo com o conselheiro de turismo, a maior circulação de visitantes pode reduzir a disponibilidade de táxis e veículos por aplicativo, além de aumentar o tempo de deslocamento. Restaurantes, aeroportos e terminais rodoviários igualmente recebem parte desse fluxo adicional, o que exige mais planejamento de quem precisa circular pela capital durante o evento.
Como muitas dessas datas já entram no calendário com antecedência, Moura recomenda que empresas e turistas considerem esse fator no planejamento. Quando a mudança de data não for possível, antecipar reservas e avaliar alternativas de hospedagem e transporte ajuda a reduzir o impacto no orçamento.
“O calendário de grandes eventos é um ativo importante para o turismo de São Paulo. Além de atrair visitantes, ele movimenta hotéis, restaurantes, transportes e diversos serviços. Como essas datas são conhecidas com antecedência, existe uma oportunidade de planejamento tanto para quem viaja a lazer quanto para as empresas. Com organização, é possível aproveitar os benefícios dessa movimentação e administrar melhor os custos”, conclui Moura.