Carro passou por alagamento? Embora muitos motoristas associem o problema apenas à parte elétrica, a água também pode comprometer a lubrificação, os sistemas de injeção e até componentes internos do motor, com prejuízos que nem sempre aparecem de imediato.
O alerta é de Arley Silva, gerente de Engenharia e Sucesso do Cliente da Promax Bardahl, que explica que os danos causados por áreas alagadas podem surgir dias ou semanas depois, quando o motorista já acredita que está tudo normal. “A água pode penetrar em diferentes sistemas do veículo e comprometer o funcionamento de peças essenciais. Em muitos casos, o problema aparece dias ou semanas depois, quando o motorista acredita que está tudo normal”, afirma.
Lubrificação, motor e injeção eletrônica podem sofrer com a água
Segundo o especialista, um dos principais pontos de atenção é o sistema de lubrificação. Se a água atingir o motor e se misturar ao lubrificante, mesmo em pequenas quantidades, ela pode comprometer o filme protetor e reduzir a capacidade de proteção das peças internas.
“O óleo tem a função de reduzir o atrito e evitar o desgaste entre componentes metálicos. Quando há contaminação por água, essa película protetora é comprometida, aumentando significativamente o risco de desgaste prematuro e até de travamento do motor”, alerta Arley.
Em situações mais graves, a entrada de água pode provocar o chamado calço hidráulico, quando o líquido invade a câmara de combustão. Como a água não é compressível, o motor pode sofrer danos severos, como empenamento de bielas e quebra de componentes internos. Além disso, o sistema de admissão de ar e a injeção eletrônica também podem ser afetados, com falhas em sensores e atuadores e prejuízo ao desempenho do veículo.
O que fazer após enfrentar um alagamento
Além do motor, outros sistemas mecânicos também podem ser comprometidos quando o veículo passa por áreas alagadas, especialmente se o nível da água ultrapassar o recomendado. A água pode atingir câmbio e rolamentos, enquanto a contaminação dos fluidos reduz a capacidade de lubrificação e acelera processos de corrosão.
“Fluidos contaminados perdem eficiência e deixam de proteger engrenagens e componentes internos. A longo prazo, isso pode resultar em ruídos, falhas mecânicas e custos elevados de manutenção”, pontua o especialista.
Se o veículo tiver passado por uma área inundada, a recomendação é procurar uma oficina de confiança o quanto antes para verificar a possível contaminação do óleo do motor, as condições dos fluidos de transmissão e freio, a integridade do sistema de admissão e o funcionamento de sensores e módulos.
Arley reforça que, em períodos de chuvas intensas, o ideal é evitar áreas alagadas sempre que possível. Se a travessia for inevitável, ele orienta o motorista a olhar além da parte elétrica. “O maior erro é acreditar que, se o carro ligou e está rodando, não há problema. A avaliação preventiva é essencial para evitar danos progressivos e preservar a vida útil do veículo”, conclui.