O Bilhete Único de São Paulo foi citado em um relatório de 2026 da UITP (Associação Internacional de Transportes Públicos) como um dos sistemas de cartões inteligentes de transporte mais conhecidos mundialmente. O documento, intitulado “Ticketing & Payments in Public Transport – Beyond demystification”, aborda a evolução dos sistemas de cobrança e pagamento no transporte coletivo, destacando a transição de bilhetes físicos e cartões magnéticos para tecnologias sem contato, pagamentos digitais e sistemas baseados em contas.
Bilhete Único de São Paulo integra geração dos cartões inteligentes
A UITP apresenta o Bilhete Único como um exemplo da geração de sistemas baseada em cartões inteligentes, onde informações sobre a viagem e direitos de utilização do transporte são armazenadas no chip do cartão. Implantado em 2004, o Bilhete Único integra diferentes serviços do transporte paulistano e é utilizado para pagamento das tarifas dos ônibus gerenciados pela SPTrans, além das integrações previstas com o sistema metroferroviário.
Em 2026, a tarifa comum dos ônibus de São Paulo é de R$ 5,30. Com o Bilhete Único comum, o passageiro pode realizar até quatro utilizações em ônibus diferentes durante três horas. A integração entre ônibus e sistema metroferroviário custa R$ 9,38 na modalidade comum. A presença do cartão em um relatório sobre novas tecnologias não significa que sistemas anteriores sejam necessariamente substituídos, pois cartões inteligentes, pagamentos por celular e meios bancários podem funcionar simultaneamente.
São Paulo amplia pagamentos pelo celular
Em janeiro de 2026, a Prefeitura de São Paulo iniciou um projeto que permite comprar passagens pelo aplicativo Cittamobi, realizar o pagamento por PIX e validar a viagem aproximando o celular do equipamento instalado no ônibus via Bluetooth. A experiência foi ampliada para 2,2 mil ônibus de 296 linhas, possibilitando a aquisição de passagens avulsas e pacotes diário, semanal e mensal.
Essa modalidade, entretanto, não oferece a mesma integração entre ônibus e trilhos disponível pelo Bilhete Único. A regulamentação tarifária de São Paulo para 2026 também prevê o uso de tecnologias como QR Code, EMV, Bluetooth e NFC.
PIX amplia presença no transporte brasileiro
O relatório da UITP destaca o Brasil ao tratar dos sistemas nacionais abertos de pagamento, citando o PIX como uma alternativa que pode funcionar como canal complementar para o transporte público. Esses sistemas permitem pagamentos de viagens, recargas e pacotes de mobilidade diretamente por meio de contas bancárias ou carteiras digitais.
Essa mudança altera a forma como os dados da viagem são processados. Nos modelos tradicionais, o cartão armazena as informações, enquanto em sistemas mais recentes parte dessas informações fica concentrada em uma estrutura central, com o cartão, celular ou outro dispositivo funcionando como identificação do usuário.
Bilhetagem baseada em conta ganha espaço
Entre as tecnologias analisadas pela UITP está o ABT (Account-Based Ticketing), ou bilhetagem baseada em conta. Nesse modelo, dados relacionados a créditos, tarifas e direitos de viagem ficam armazenados no sistema central, e o cartão ou celular funciona principalmente como identificação para localizar a conta do usuário.
Dessa forma, diferentes meios podem ser usados pelo mesmo passageiro conforme as regras de cada sistema, incluindo cartões de transporte, cartões bancários e celulares.
Rio Grande do Sul prepara sistema baseado em conta
O conceito de bilhetagem baseada em conta aparece em um projeto no Rio Grande do Sul, onde o governo estadual prepara uma PPP para uma nova estrutura de bilhetagem eletrônica do transporte metropolitano da Região Metropolitana de Porto Alegre. O projeto prevê processamento e compensação financeira, solução ABT, uso de cartões de crédito e débito e armazenamento de dados em nuvem. O contrato está estimado em aproximadamente R$ 90 milhões, com prazo previsto de dez anos.
Brasil reúne diferentes fases da bilhetagem
Os exemplos citados pela UITP mostram que o Brasil utiliza diferentes tecnologias simultaneamente. O Bilhete Único de São Paulo representa a geração dos cartões inteligentes. O PIX aparece como alternativa de pagamento aberta, enquanto Curitiba utiliza cartões bancários por aproximação e o Rio de Janeiro permite pagamento via PIX diretamente nos validadores. São Paulo também testa pagamentos por aplicativo e Bluetooth, enquanto o Rio Grande do Sul prepara uma estrutura baseada em contas.
A mudança não envolve apenas substituir um cartão por um celular ou cartão bancário. Os sistemas precisam administrar integrações tarifárias, gratuidades, benefícios, diferentes formas de pagamento, segurança e dados dos usuários. A UITP destaca a necessidade de considerar passageiros que não possuem cartão de crédito, smartphone ou outros recursos digitais, indicando que a convivência entre diferentes meios pode permanecer durante a transição para novas arquiteturas de bilhetagem.