Rodovias melhores reduzem riscos no transporte de carros zero-quilômetro, tema que ganha força com o novo ciclo de concessões rodoviárias no país. Desde 2023, os leilões do governo federal já resultaram em compromissos de R$ 277,6 bilhões em investimentos para os próximos 30 anos, o que amplia a perspectiva de modernização das estradas brasileiras.
No transporte de veículos zero-quilômetro, a condição da estrada influencia diretamente a operação. Carretas-cegonha levam automóveis expostos ao percurso e precisam entregar a carga sem avarias. Buracos, desníveis, pavimento deteriorado, árvores e bambus que avançam sobre a via, além de trechos mal conservados, aumentam os riscos da viagem e podem comprometer veículos de alto valor.
Assim, a qualidade da rodovia interfere não apenas na segurança do motorista e no tempo de deslocamento, mas também na preservação da carga, na previsibilidade da operação e na própria viabilidade do frete.
“Transportar carro zero-quilômetro exige uma operação muito precisa. Estamos levando uma carga de alto valor, que precisa chegar ao destino nas mesmas condições em que saiu da fábrica. Quanto melhor a estrada, melhores são as condições para realizar esse trabalho com segurança, previsibilidade e eficiência”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg).
Concessões avançam e ampliam a modernização das estradas
Depois de uma primeira etapa concentrada nos grandes corredores rodoviários, especialmente no Sudeste, o setor projeta uma nova onda de projetos a partir de 2027, com maior presença de estradas do Nordeste e do Norte.
Como muitos desses trechos registram menor volume de tráfego, a tendência é de adoção de novas modelagens. Entre elas estão as Parcerias Público-Privadas (PPPs), que combinam recursos públicos e privados para viabilizar investimentos e evitar que todo o custo recaia sobre a tarifa paga pelo usuário.
Também entram em discussão as chamadas “concessões inteligentes”, voltadas a rodovias de médio porte e importância regional. A proposta prevê contratos mais enxutos, foco na conservação das estradas, tarifas menores e uso do free flow, sistema de pedágio eletrônico sem cancelas.
Melhor conservação ajuda a preservar a carga
Para Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg, a evolução dos modelos precisa gerar resultados concretos nas pistas.
“Para quem trabalha na estrada, conservação não é detalhe. Uma pista ruim aumenta o desgaste do equipamento, exige mais do motorista e eleva o risco para a carga. No transporte de veículos zero-quilômetro, uma avaria pode comprometer a operação e afetar economicamente o frete. Investir em boas rodovias é também investir em eficiência logística”, afirma.
Desse modo, o avanço das concessões aparece como um fator estratégico para reduzir riscos e elevar a eficiência no transporte de carros novos em todo o país.
