O Ministério Público de São Paulo instaurou uma apuração inicial para investigar as mudanças no projeto da futura Linha 20-Rosa do Metrô, que conectará a Lapa ao ABC Paulista. A investigação começou após a associação de moradores AME Jardins acionar o órgão contra as alterações feitas no traçado preliminar da linha.
Linha 20-Rosa: controvérsias e avanços no projeto
A associação e entidades de bairros como Pinheiros contestam a eliminação de três estações que ficariam ao longo da Avenida Brigadeiro Faria Lima, no trecho entre o Largo da Batata e a Avenida Cidade Jardim. Os moradores argumentam que o desvio para o interior dos bairros reduz o atendimento ao maior polo de empregos da capital, gera temores de desapropriações em áreas residenciais e ameaça o tombamento urbanístico da região dos Jardins por risco de verticalização excessiva.
Em resposta ao Ministério Público, o Metrô defende que o traçado atual possui maior viabilidade técnica e financeira, gerando uma economia estimada em R$ 1,2 bilhão e reduzindo o cronograma de obras em dois anos. A companhia explicou que o recente boom imobiliário com grandes edifícios na própria Avenida Faria Lima inviabilizou fisicamente o espaço para novas paradas no local, além de alertar que uma conexão tripla com outras linhas saturaria a operação.
O projeto básico da Linha 20-Rosa segue em andamento com conclusão prevista para o início de 2027. A expectativa atual é que a contratação do projeto executivo ocorra logo em seguida e o início das obras aconteça a partir de 2028, com duração estimada de oito anos e os trabalhos começando pela região do ABC Paulista. Enquanto isso, a Prefeitura de São Paulo confirmou as alterações técnicas no mapa e se comprometeu a realizar novos fóruns de debate para discutir os impactos com a comunidade.
Detalhes das estações confirmadas e alterações
No desenho consolidado pelo Metrô, a Linha 20-Rosa terá 31,1 quilômetros de extensão e 24 estações. Ela cruzará importantes subcentros da capital e fará conexões cruciais com diversas linhas de trens e metrô, como as linhas 1-Azul, 2-Verde, 4-Amarela e 5-Lilás, até alcançar os municípios de São Bernardo do Campo e Santo André.
Recentemente, a companhia atualizou o nome de paradas importantes e consolidou o novo mapa: a antiga estação Teodoro Sampaio foi renomeada para Estação Cardeal Arcoverde, localizada no coração de Pinheiros. O traçado redesenhado prevê a ampliação da Estação Fradique Coutinho, com integração à Linha 4-Amarela, avançando em direção à Avenida Rebouças e à Rua Mateus Grou.
No trecho sul da Faria Lima, foram mantidas as futuras estações Tabapuã e Estação JK (antiga Jesuíno Cardoso), próximas ao cruzamento com a Avenida Juscelino Kubitschek. Outras nomenclaturas também mudaram na capital, como as paradas Vila Nova Conceição (antiga Hélio Pellegrino) e Jardim Clímax (antiga Arlindo Vieira).
O cronograma e impacto das desapropriações
O processo de desapropriações já deu os seus primeiros passos burocráticos importantes e vem se intensificando com a publicação de Resoluções e Decretos de Utilidade Pública (DUP) pelo Governo do Estado. Técnicos e avaliadores do Metrô realizam vistorias de campo, cadastros e notificações formais a proprietários de imóveis comerciais e residenciais localizados no perímetro das futuras obras.
Os impactos de desapropriação dividem-se em áreas críticas:
- Nos Jardins e Pinheiros, as intervenções abrangem cerca de 7,5 mil metros quadrados na área tombada. O maior impacto ocorrerá no entorno da expansão da estação Fradique Coutinho e na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, que abrigará um poço de ventilação e saída de emergência (VSE). Após cobranças de órgãos de patrimônio histórico, o Metrô recuou no plano original e transferiu o poço de ventilação do miolo residencial para uma área comercial, preservando a paisagem do bairro.
- Em São Paulo e Santo André, mais de 48 mil metros quadrados foram declarados de utilidade pública na capital e outros 35 mil metros quadrados em Santo André para a montagem de canteiros, subestações e acessos de passageiros.
- Em São Bernardo do Campo, o marco inicial no ABC foi a emissão do decreto para desapropriação da área da antiga fábrica da Ford, no bairro Taboão. O local abrigará o Pátio Ford, um complexo operacional de 227 mil metros quadrados projetado para ser o centro de manutenção e guarda de trens de toda a linha.