A expansão do Metrô foi um dos principais temas do segundo dia da 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, promovida pela AEAMESP, em São Paulo. Os debates destacaram como a ampliação da rede pode reduzir o tempo de deslocamento, aproximar cidades e ampliar o acesso da população a empregos, educação, cultura e serviços.
Expansão do Metrô e planejamento de longo prazo
Na manhã desta quarta-feira, 2/09, o painel “Planejamento e Expansão do Metrô de SP” reuniu especialistas do Metrô de São Paulo para apresentar projetos e perspectivas de ampliação da rede. O arquiteto e urbanista Luiz Antônio Cortez Ferreira afirmou que novas linhas, mesmo quando não seguem diretamente ao centro, criam conexões entre diferentes subcentros da capital e da Região Metropolitana.
“Quando se oferece um transporte muito mais rápido e eficiente, as pessoas passam a ter acesso a uma área muito maior para buscar empregos, escolas, faculdades e atividades culturais. Elas deixam de ficar restritas aos locais que conseguem alcançar em um tempo razoável pelos sistemas sobre pneus”, afirmou Cortez.
Ele também citou a Linha 19-Celeste, que deverá ligar o Anhangabaú, no Centro de São Paulo, à região do Bosque Maia, em Guarulhos. Segundo o especialista, o trajeto que hoje leva uma hora e meia poderá ser feito em cerca de 40 minutos.
“Considerando a ida e a volta, ela poderá ganhar quase duas horas por dia”, explicou. “É um tempo que poderá ser usado para acompanhar o filho na escola, cuidar da casa, trabalhar, fazer um curso ou simplesmente ter uma condição melhor de vida. Esse ganho de eficiência se traduz em produtividade para (movimentar) a economia, mas também representa uma mudança radical para as famílias”.
O presidente da AEAMESP, Ayrton Camargo, reforçou que projetos dessa dimensão precisam de estudos de demanda e planejamento de longo prazo. Ele lembrou que o Metrô deve durar, no mínimo, 50 anos e citou a Estação São Joaquim, projetada nos anos 1960 para receber cerca de 19 mil passageiros por dia e que agora passará a se conectar também com a Linha 6-Laranja.
“Um empreendimento como o Metrô é feito para durar, no mínimo, 50 anos. Por isso, não se pode improvisar. É preciso escolher o traçado, calcular a movimentação esperada, identificar o trecho de maior carregamento e dimensionar corretamente as estações. O que buscamos, com um evento como esta Semana de Tecnologia Metroferroviária, é justamente disseminar conteúdo de excelência”, afirmou Ayrton.
Tecnologia, integração e troca de conhecimento no setor
Além da expansão da rede, a programação do segundo dia abordou tecnologia, gestão de dados, ligação sobre trilhos com aeroportos e inovação no material rodante metroferroviário. O evento começou com uma apresentação da International Monorail Association (IMA) e seguiu com o painel “Gestão de Dados Inteligente no Transporte Público”.
Na Sala técnica 1, os participantes acompanharam um estudo sobre a demanda e a expansão da Linha 5-Lilás até 2038 e o painel “Ligações sobre Trilhos com Aeroportos: Desafios e Perspectivas”. Outro destaque foi o painel “O Impacto das Inovações no Material Rodante Metroferroviário”, que reuniu representantes da CPTM, Alstom, CAF Brasil e CRRC.
Para Ayrton, a AEAMESP cumpre o papel de reunir profissionais que fazem o setor avançar e de disseminar conhecimento para novos projetos. “O papel da AEAMESP é congregar aqueles que fazem acontecer e disseminar conhecimento para aqueles que querem fazer. Recebemos pessoas de Pernambuco, do Pará e de outras regiões com cidades que já possuem sistemas em expansão ou desejam implantá-los. Elas vêm aprender com quem já percorreu esse caminho”, disse.
Entre os participantes, Elson Júnior, de Marabá, no Pará, afirmou que veio ao evento para conhecer tecnologias usadas nos sistemas metroferroviários do Sudeste. Ele destacou o interesse pelos sistemas embarcados, pelos trens e vagões e pela oportunidade de fazer networking.
“Minha curiosidade foi entender como funcionam os sistemas embarcados e conhecer as tecnologias utilizadas nos trens e vagões na região de São Paulo. Quero aproveitar os quatro dias para adquirir conhecimento, fazer networking e conversar com as lideranças do setor”, afirmou Elson.
A 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária reúne autoridades, gestores públicos e privados, executivos, especialistas, acadêmicos e formadores de opinião. Com mais de 80 palestrantes nacionais e internacionais e 40 horas de programação, o evento segue até 4 de setembro com novos debates sobre os desafios e as perspectivas do setor metroferroviário.
Na programação dos próximos dias, o encontro abordará integração multimodal, ferrovias e contêineres, BIM, sustentabilidade operacional, requalificação ambiental, concessões ferroviárias, transformação digital, transição energética, eletrificação, regulação, financiamento da mobilidade urbana, inteligência artificial nas operações, trens turísticos, serviços regionais e de alta velocidade, mobilidade ativa e acessibilidade.