O mercado automotivo brasileiro apresenta mudanças na formação dos preços dos veículos. A lógica tradicional, que considerava apenas a idade para estimar a desvalorização, está se tornando insuficiente. A 75ª edição do AutoAcrefi, estudo mensal da Acrefi em parceria com a Cox Automotive, revela que veículos novos, seminovos, usados e eletrificados respondem de forma distinta às condições de mercado.
Acomodação dos preços varia entre segmentos
Em junho de 2026, o estudo analisou 23.622 versões de veículos comercializados no Brasil. Os veículos 0 km tiveram leve recuo médio de 0,05%. Os seminovos sofreram maior pressão, com queda de 0,44%, enquanto os usados recuaram 0,41%. Essas oscilações não acompanham mais apenas o tempo de uso, mas também fatores como tecnologia embarcada, eletrificação, renovação dos modelos, oferta e demanda.
Segmentos reagem de forma diferente às condições de mercado
Entre os seminovos, SUVs registraram retração média de 1,07% em junho, sedãs caíram 0,29% e roadsters tiveram leve valorização de 0,05%. Nos usados, station wagons avançaram 0,31%, enquanto SUVs e picapes caíram 0,80% e 0,68%, respectivamente. Isso mostra que o mercado responde de forma segmentada, refletindo características próprias e ritmos distintos de acomodação dos preços.
Fatores estruturais influenciam a formação dos preços
Além da oferta e demanda, a formação dos preços incorpora a renovação dos modelos, evolução tecnológica e avanço da infraestrutura para eletrificação. A precificação hoje reflete um conjunto amplo de variáveis, tornando o mercado mais complexo e menos dependente de critérios tradicionais, segundo Cintia Falcão, diretora executiva da Acrefi.
Expansão da infraestrutura de recarga impulsiona veículos eletrificados
A eletrificação avança com a expansão da infraestrutura de recarga, que influencia a percepção de valor dos veículos eletrificados. Em maio de 2026, o Brasil contava com 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga, um crescimento de 20,7% em três meses. Os carregadores rápidos em corrente contínua (DC) aumentaram cerca de 33%, chegando a 8.606 unidades, representando um terço da infraestrutura nacional.
Infraestrutura de recarga amplia alcance e confiança do consumidor
A rede de recarga já alcança 1.788 municípios, favorecendo corredores elétricos e viagens de média e longa distância. Essa infraestrutura reduz a “ansiedade de autonomia”, fortalece a confiança dos consumidores e tende a influenciar demanda, liquidez e valor residual dos veículos eletrificados no mercado de usados.
Tecnologia amplia diferenças entre categorias de veículos
A idade do veículo deixou de ser o único parâmetro para estimar seu valor. A chegada de novos modelos, a oferta crescente de veículos eletrificados e a rápida incorporação de tecnologias aceleram a renovação do mercado. Isso faz com que categorias semelhantes apresentem comportamentos distintos em relação à desvalorização e valor residual.
Mercado de motocicletas mantém crescimento e estabilidade
O segmento de motocicletas segue com crescimento nas vendas e estabilidade nos preços. Em junho de 2026, foram emplacadas 194.200 motos, alta de 8,28% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No primeiro semestre, o total chegou a 1.174.459 unidades, aumento de 14,10% sobre 2025. A projeção para 2026 é de expansão de 10%.
Liderança e destaque no mercado de motos
A Honda lidera com 127.475 motocicletas emplacadas em junho, representando 65,64% do mercado. A Yamaha vem em segundo, com 25.569 unidades (13,17%), seguida por Shineray e Mottu com volumes semelhantes. O modelo Honda CG 160 foi o principal destaque, com 46.148 emplacamentos em junho e 260.248 no acumulado do ano.
O estudo completo do AutoAcrefi está disponível para consulta. A Acrefi reúne instituições financeiras para fortalecer o mercado de crédito no Brasil desde 1958, promovendo pesquisas e eventos para disseminar conhecimento e apoiar o desenvolvimento do setor automotivo e financeiro.