Endividamento entre motoristas de app expõe falhas no acesso ao crédito

Um levantamento com 1.576 motoristas de aplicativo em todo o país aponta que o acesso ao crédito segue distante da realidade financeira da categoria. Segundo a pesquisa realizada pela GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, 70,7% dos entrevistados recorreram a empréstimos nos últimos 12 meses, enquanto 82,5% afirmaram ter dívidas atualmente.

Os dados mostram que o endividamento já faz parte da rotina desses trabalhadores, que lidam com renda variável e despesas recorrentes ligadas à atividade. Entre as principais fontes de dívida, 51,2% citaram débitos bancários e cartão de crédito, seguidos por financiamentos (15,9%), contas domésticas (12,7%) e gastos com manutenção do veículo (7,9%).

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  • Crédito e endividamento pressionam a rotina dos motoristas

    O estudo indica que a dificuldade não está apenas em conseguir crédito, mas em encontrar produtos compatíveis com a dinâmica de quem trabalha por corrida. Conforme a pesquisa, 40,2% dos motoristas disseram não separar nenhuma parcela da renda mensal para pagar dívidas. Entre os demais, 19,2% destinam mais da metade do que ganham ao pagamento de débitos, e 9,8% reservam entre 5% e 10% da renda.

    Para Luiz Gustavo Neves, CEO do GigU, o mercado ainda oferece soluções genéricas para um público que vive outra realidade financeira. “Os dados mostram uma demanda por crédito que já existe e se repete: sete em cada dez motoristas tomaram empréstimo nos últimos 12 meses. O que não existe é oferta desenhada para esse trabalhador. Ele tem renda diária, custos operacionais conhecidos e histórico de ganhos que pode ser medido corrida a corrida, mas é atendido com os mesmos produtos genéricos de quem tem salário fixo, geralmente os mais caros do mercado. Quem usar os dados reais de ganho e custo desse profissional para oferecer crédito, planejamento e orientação adequados vai destravar um mercado de milhões de trabalhadores que hoje pagam caro por soluções que não servem para eles”, afirmou.

    Planejamento financeiro ainda é raro entre motoristas de app

    A pesquisa também revela uma preocupação diária com contas, parcelas e reserva de emergência. Ao iniciar a jornada, 26,6% dos entrevistados pensam прежде em despesas domésticas, 22,7% em renegociação de dívidas e 21,4% em parcelas de financiamento. Outros 16,2% priorizam a formação de uma reserva de emergência, enquanto 13,1% se preocupam com gastos do veículo.

    Apesar disso, 74,7% afirmaram nunca ter buscado orientação sobre planejamento financeiro. O levantamento reforça, portanto, que a demanda por soluções compatíveis com a renda variável da categoria continua mal atendida, mesmo entre profissionais que dependem diretamente da organização dos ganhos e das despesas para manter a atividade rentável.

    O estudo foi feito pela GigU, startup criada em 2017 e voltada a ferramentas para motoristas e entregadores de aplicativo, em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação.

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