A inteligência artificial já redefine a estratégia das montadoras e muda a disputa global no setor automotivo. Casos recentes de Volkswagen, BMW e Stellantis mostram que a tecnologia deixou de ser apenas promessa e passou a integrar produção, atendimento e direção automatizada.
Segundo Matheus Miranda, CIO da IRRAH Tech, até ações de marketing ajudam a evidenciar essa transformação. “O que para muitos parece apenas uma ação de marketing é, na verdade, um reflexo da forma como a inteligência artificial vem sendo incorporada às operações das empresas. Trata-se de uma transformação estrutural que já impacta diferentes setores da economia, incluindo o automotivo”, afirma.
Montadoras ampliam o uso da IA em produção e produtos
Nos últimos meses, a Volkswagen anunciou o uso da tecnologia em áreas que vão de assistentes virtuais embarcados a sistemas avançados de direção automatizada. Além disso, a BMW informou o início de projetos com robôs humanoides apoiados por inteligência artificial em suas linhas de produção na Europa.
Ao mesmo tempo, a Stellantis, dona de marcas como Jeep, Fiat, Peugeot e Citroën, firmou uma parceria estratégica de cinco anos com a Microsoft para desenvolver mais de uma centena de iniciativas baseadas em inteligência artificial. Esses movimentos indicam que a corrida tecnológica já alcança toda a cadeia de valor da indústria.
IA nas empresas brasileiras ainda enfrenta barreiras de adoção
No Brasil, a tecnologia já aparece menos como ferramenta isolada e mais como base da infraestrutura de negócios. Uma pesquisa da Meta em parceria com a Fundação Dom Cabral mostrou que 82,5% dos CEOs e executivos ouvidos consideram a IA relevante para suas empresas. Desse total, 34,2% a veem como importante, 30% como muito importante e 18,3% como extremamente importante.
Mesmo assim, o estudo revela um paradoxo: 43,3% das organizações destinam menos de 1% do orçamento a iniciativas de IA. Além disso, 42,7% apontam a falta de conhecimento especializado como principal barreira. Integração com sistemas legados, custos de implementação, segurança e conformidade também aparecem entre os desafios.
“Esse cenário ajuda a explicar uma característica cada vez mais presente nas empresas brasileiras: muitas reconhecem o valor da inteligência artificial, mas ainda não possuem estrutura, equipe ou orçamento para desenvolver soluções proprietárias. A adoção, portanto, tende a acontecer por meio de plataformas já prontas, capazes de conectar IA aos processos de negócio sem exigir grandes estruturas internas de desenvolvimento”, diz Miranda.
O executivo destaca soluções como o GPT Maker, plataforma desenvolvida pela IRRAH Tech que permite criar agentes treinados com informações específicas de cada negócio. Na prática, a empresa alimenta o sistema com documentos, manuais, políticas internas, catálogos de produtos, perguntas frequentes e bases próprias de conhecimento para que a IA responda de forma contextualizada.
Além disso, a ferramenta se integra a canais como WhatsApp, Instagram, TikTok, sites, CRMs e APIs corporativas, o que amplia seu uso em atendimento, suporte e pós-venda. “Em vez de aplicações isoladas, como chatbots básicos ou automações restritas a tarefas repetitivas, a inteligência artificial passa a ser incorporada diretamente ao núcleo das operações. Isso significa atuar sobre fluxos inteiros, cruzar dados de diferentes áreas e influenciar decisões com base em contexto, histórico e comportamento, sem rupturas na jornada”, afirma o executivo.
Segundo Miranda, essa transição já aparece com força nas áreas de relacionamento com o cliente, tradicionalmente marcadas por processos fragmentados e alta dependência de interação humana. “O GPT Maker, por exemplo, possibilita a criação de agentes de IA personalizados conforme as necessidades de cada negócio. Eles são capazes de aprender com as interações, adaptar a comunicação e tomar decisões alinhadas aos objetivos da empresa”, destaca.
“Nesse estágio de maturidade, compreender a IA apenas como uma ferramenta é insuficiente. Agora, será preciso enxergá-la como um elemento fundamental da arquitetura digital, capaz de reconfigurar não apenas processos, mas a própria lógica de funcionamento do mercado”, conclui o CIO.