Carros híbridos estão mudando a rotina das oficinas e exigindo mais atenção técnica, segundo a NGK, marca da Niterra especializada em sistemas de ignição. Com a expansão dessa frota no Brasil, o setor reparador passa a lidar com diagnósticos mais complexos, manutenção específica e necessidade constante de capacitação.
De acordo com a Anfavea, os veículos híbridos já representavam 4,3% dos carros de passeio em circulação em 2025. Nesse cenário, a tecnologia que une motor elétrico e à combustão obriga mecânicos e reparadores a entenderem melhor o funcionamento de diferentes arquiteturas, além de adotarem componentes mais duráveis e adequados ao uso intermitente do motor térmico.
Tipos de híbridos e seus impactos no uso
A NGK explica que há quatro principais configurações de híbridos. Nos modelos MHEV, o motor a combustão trabalha o tempo todo e o sistema elétrico auxilia nas partidas e no arranque. Já nos HEV, a bateria é maior e permite pequenos deslocamentos em modo elétrico, especialmente em trajetos urbanos.
Nos PHEV, o carregamento ocorre na rede elétrica, o que amplia bastante a autonomia elétrica. Dependendo do modelo e das condições de uso, essa autonomia pode chegar a 100 km. Por fim, os EREV operam com tração exclusivamente elétrica, enquanto o motor a combustão atua como gerador para recarregar as baterias.
“Nos veículos MHEV e HEV o motor a combustão irá trabalhar de forma muito similar a um motor somente a combustão. Já nos veículos EREV, o funcionamento do motor a combustão é otimizado, por trabalhar no melhor regime do motor. Para os veículos PHEV, dependendo da forma de uso do veículo e disponibilidade para recarga, o veículo pode trafegar por períodos longos de tempo no modo elétrico. Esse tipo de uso pode provocar o envelhecimento do combustível no tanque do veículo, ocasionando acumulo de resíduos. Outro problema é que o motor precisa atingir uma temperatura ideal para o trabalho, se o percurso com o motor a combustão for muito curto, a temperatura não é atingida”, explica Hiromori Mori, consultor de assistência técnica da Niterra.
Velas de metais nobres ganham destaque nos híbridos
Segundo a empresa, o funcionamento intermitente do motor a combustão e o gerenciamento eletrônico mais complexo tornam o sistema de ignição ainda mais estratégico. Em vez de uma falha simples, o problema pode afetar a transição entre o motor elétrico e o térmico, gerar perda instantânea de torque e acionar estratégias de segurança no veículo.
Para lidar com esse ambiente mais exigente, a NGK destaca o uso de velas com irídio e platina. Essas peças oferecem maior resistência ao desgaste e às altas temperaturas, além de eletrodos mais finos, que ajudam a produzir uma centelha mais precisa e eficiente. “As velas de metais nobres são indispensáveis para os motores híbridos, mas apresentam vantagens significativas para qualquer veículo. Isso porque proporcionam uma queima muito mais completa do combustível, o que se traduz em partidas mais rápidas a frio, melhor estabilidade na marcha lenta, respostas mais ágeis nas acelerações e, consequentemente, menor emissão de poluentes”, afirma Hiromori Mori.
Além da escolha correta dos componentes, a companhia ressalta que as oficinas precisam investir em treinamento, equipamentos específicos e cumprimento de normas de segurança para atender esses veículos. Assim, a reparação acompanha a evolução da eletrificação automotiva e se prepara para uma frota cada vez mais diversificada no país.