Do Ford T aos carros autônomos: como o mercado automotivo evoluiu nos últimos 100 anos

Carros híbridos, elétricos, autônomos e inteligentes são alguns modelos que já fazem parte do dia a dia de muita gente, após uma escalada tecnológica vertiginosa nos últimos tempos. Porém, essa evolução começou há mais de 100 anos, quando o empreendedor Henry Ford tinha o desejo de produzir um carro barato e acessível ao cidadão comum. O primeiro automóvel da Ford foi desenvolvido em 1904, chamado de “Modelo A”. Porém, a grande inovação veio em 1908, com o revolucionário “Ford T”. O veículo inovou não só em sua parte técnica, mas também ajudou a mudar a indústria com a produção em série, marcando o nascimento da era do automóvel, que celebra o seu dia em 13 de maio. Até hoje, a linha de montagem é considerada a maior inovação da indústria automobilística.

Rapidamente, o Ford T ganhou a fama de produto seguro, simples, confiável e barato. Dentre suas características, destacavam-se o motor 4 cilindros e o consumo moderado de combustível, além de peças para reposição e valor acessível. A partir de 1913, Henry Ford desenvolveu o processo de produção em série do Modelo T. Com mecânica simples, robusta e de fácil manutenção, o carro logo caiu no gosto popular. As várias melhorias introduzidas ao longo do tempo o deixaram mais confortável, rápido e econômico.

O constante aperfeiçoamento do processo produtivo também trouxe a redução dos custos: lançado por 850 dólares, ele chegou ao último ano de produção, em 1927, custando 290 dólares. Com essas qualidades, o Modelo T conquistou o público norte-americano e de vários outros países. Em 1919, a Ford foi a primeira fabricante de automóveis a se instalar no Brasil, com a produção desse veículo e do caminhão Ford. Depois de quase 100 anos, a marca permanece forte no Brasil, com a importação de veículos produzidos em países vizinhos, como Argentina e Uruguai, além de outros países como México e Estados Unidos.

Carros elétricos

Com consumidores cada vez mais exigentes, outras inovações começaram a ser anunciadas, não só nos carros, mas também nas linhas de montagem. O sistema criado por Henry Ford evoluiu, e os fabricantes deixaram de concentrar as fases do processo produtivo, entregando para empresas especializadas, as chamadas sistemistas, a maior parte das peças. Além disso, para a criação do primeiro carro elétrico no Brasil foi utilizado um chassi e rodas do Modelo A, da Ford. Com um motor elétrico ligado ao câmbio, a ideia era produzir o veículo em série, mas o projeto acabou sendo derrotado pela indústria do petróleo, em 1965.

Em 1913, Henry Ford criou um protótipo de veículo elétrico com a ajuda do amigo Thomas Edison, um dos maiores inventores do início da revolução elétrica. Edison desenvolveu a tecnologia de baterias de níquel-ferro para uma série de usos. A ideia de Ford era utilizar as baterias em uma linha de carros elétricos que se chamaria “Edison-Ford” e investiu US$ 1,5 milhão no projeto. Porém, não foi possível extrair da tecnologia da época a capacidade necessária para que o veículo funcionasse como o planejado. Passaram, então, a testar baterias de chumbo, duas vezes mais pesadas. Mas Henry Ford entendeu que não poderia competir com os automóveis a gasolina e teve de se desfazer do negócio.

Mesmo assim, Ford não interrompeu as pesquisas sobre carros elétricos. No final do século XX, outros protótipos foram construídos, como o Comuta, projetado na Inglaterra e nos EUA em 1967, abrindo caminho para um desenvolvimento em escala comercial na década de 90. “Em 1996, a Ford lançou o primeiro veículo elétrico com emissão zero, o modelo Ranger. Agora, começa a colocar no mercado uma geração totalmente nova, com a E-Transit, o Mustang Mach-E e a F-150 Lightning. Em 2023, teremos o lançamento do Mustang Mach-E, veículo elétrico que já faz grande sucesso em outros países, a ponto de ter fila de compradores nos Estados Unidos, e também uma versão híbrida da Maverick”, conta o gerente comercial da Ford Slaviero, Rogério Lechinski.

Avanço de tecnologias

Injeção direta de combustível, central multimídia touchscreen, navegador GPS, alertas de ponto cego e de saída de faixa. Assim são os carros de hoje, mas, no início, não existiam vidros nem travas elétricas, tampouco esse aparato tecnológico utilizado hoje em dia – com os carros autônomos e até mesmo os voadores, que vêm sendo testados por alguns fabricantes.. O modelo “sem motorista” está sendo testado por um sistema de autocondução, que permite ao carro se movimentar até no escuro. Na experiência, automóveis foram colocados para rodar em estradas cobertas de neve ou em condições precárias ou em completa escuridão. “Os testes mostraram que o sistema é capaz de “dirigir” melhor que um humano quando não há iluminação. O carro consegue continuar rodando com segurança em baixa visibilidade. O gerente revela que a Ford começou a testar vans sem motorista para a realização de entregas. Com duas semanas de testes, o estudo apresentou resultados bastante positivos, apontando que duas vans autônomas e oito entregadores são mais eficientes, rápidos e sustentáveis do que seis carros ou motos convencionais.