Deslocamento nas cidades prejudica trabalhadores e meio ambiente, diz especialista

Consultor do Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transporte e Meio Ambiente, Frederico Bussinger disse na Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (24), que os planejadores urbanos têm que considerar que não são apenas pessoas que circulam pelas cidades; mas bens, serviços e informações.

Frederico Bussinger também avaliou que é necessário pensar não só na circulação dentro das cidades, mas no fluxo que entra e sai delas diariamente.

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  • O consultor participou da primeira parte do IV Seminário Internacional Mobilidade e Transportes: Pensando as Cidades do Futuro”, promovido pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara em parceria com a Universidade de Brasília, por meio do Programa de Pós-Graduação em Transportes, e a Associação dos Consultores Legislativos.

    Trânsito

    O especialista lembrou estudo recente que avaliou em R$ 156,2 bilhões por ano as perdas causadas pela morosidade do trânsito em São Paulo.

    “A zona leste de São Paulo transporta para o centro um Uruguai por dia e à tarde esse Uruguai volta para a zona leste. E a conclusão desse estudo é que os moradores da região metropolitana gastam meia hora a mais do que deveriam nestes deslocamentos.”

    Uma das consequências dos congestionamentos é o aumento da poluição. De acordo com Frederico Bussinger, as emissões relacionadas a combustíveis são 23% do total no mundo. No Brasil, a taxa sobe para 42% e, em São Paulo, para 55%.

    O resultado são 4 mil mortes por ano na cidade. A falta de planejamento, segundo o consultor, faz com que 46% dos caminhões que circulam pela cidade estejam vazios, quando nos Estados Unidos esse índice é menor que 18%.

    Envelhecimento e mobilidade

    O deputado Angelim disse, no seminário, que o Brasil adotou o modelo rodoviário de maneira equivocada. Ele também mostrou preocupação com a ausência do tema “envelhecimento populacional” nas eleicões municipais.

    “Hoje nós temos 3 milhões de brasileiros de 60 anos ou mais e, em 2020, 2025, teremos 12 milhões. Até 2050, o Brasil será um país velho e não um país predominantemente jovem. E eu não vi um debate em nenhum momento sobre se as cidades estão preparadas para abraçar, para dar qualidade de vida a essa população, que será predominantemente maioria”, disse.

    Angelim afirmou ainda que é necessário discutir o sistema da gratuidade das passagens de ônibus. Segundo ele, não existe gratuidade e é preciso avaliar melhor quem está sendo beneficiado pelo sistema e quem está pagando. Isso porque grandes parcelas da população mais pobre estariam sendo prejudicadas com tarifas altas.

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