Mais de um dia após temporal, São Paulo ainda registra quedas de árvores

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Largo da Concórdia Desvios regiões comerciais

Mais 24 horas após o temporal que levou ao desabamento de mais de 180 árvores em São Paulo, com panes nas redes elétrica e semafórica e bloqueios em ruas e calçadas, a cidade voltou a registrar quedas nesta quarta-feira (18). Durante a madrugada, ao menos cinco árvores caíram na zona oeste – quatro em Higienópolis e uma na Lapa.

Por volta das 1h15, uma árvore caiu na altura do número 15 da Avenida Higienópolis, ocupando todo a calçada. No mesmo horário, em frente ao nº 502 da Rua Itambé, próximo ao Cemitério da Consolação, uma árvore caída ocupava uma faixa da via.

Uma terceira árvore caiu à 1h30 na Rua Itacolomi, altura do nº 419, interrompendo uma faixa. Já às 6h, uma árvore desabou na Rua Dona Veridiana, próximo à Rua Marquês de Itu, ocupando a calçada. Na Lapa, uma árvore caiu na altura do número 203 da Rua Catalão, que também ficou com uma faixa interditada. Nos cinco casos ninguém ficou ferido.

Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), os ventos do temporal da última segunda (16) provavelmente superaram 100 km/h, embora os registros de estações meteorológicas, restritas a pontos específicos, tenham sido de até 77 km/h, em Barueri – ante 51,5 km no mirante de Santana (zona norte).

No Cemitério do Araçá, no Pacaembu (zona oeste), um muro desabou e espalhou 60 urnas de ossadas na calçada.

Duas pessoas morreram no temporal, uma na capital e outra em Suzano, na região metropolitana de São Paulo. Em Suzano, Luiz Rosa da Silva, 57, ajudante de serviços gerais, morreu esmagado dentro do carro após um muro desabar durante a chuva.

Francisca dos Santos, 22, vendedora ambulante, morreu após ser atingida por uma árvore que caiu no largo da Concórdia, no Brás. Segundo a irmã de Mônica, Noelma, ela só deve ser enterrada nesta quarta (18), quando a mãe chegará de Pernambuco, onde mora.

Perto de Mônica estavam Dayse Cristina Souza Santos, 31, e a filha dela, Maria Luiza, 3, que também foram atingidas pela árvore. A menina teve fratura no crânio e perfuração no pulmão. A mãe teve as duas pernas fraturadas. Ambas estavam internadas em estado grave nesta terça na Santa Casa de São Paulo.

CUPINS

A árvore que provocou a morte de Mônica tinha 13 metros de altura e seu tronco media quase um metro de diâmetro, de acordo com laudo da Prefeitura de São Paulo. O documento diz que a árvore havia sido danificada por cupins, mas que “não foi possível prever a queda”, porque eles haviam danificado “a parte interna”.

O laudo municipal diz que “aparentemente a árvore encontrava-se com aspecto saudável, tanto na copa quanto no caule, não tendo características que pudessem ser observadas antes da queda”.

O delegado Eder Pereira e Silva, do 12º Distrito Policial da capital, no Pari, instaurou nesta terça um inquérito para investigar as causas da queda da árvore que causou a morte de Mônica e as lesões em Dayse e na filha, Maria Luiza. A natureza do inquérito é de homicídio culposo (sem intenção) e lesão corporal dolosa.

O delegado disse que encaminhou um ofício à Subprefeitura da Mooca com pedido do nome do responsável pela manutenção das árvores na região para que pudesse ouvi-lo. A Prefeitura de São Paulo não quis comentar a instauração do inquérito pela Polícia Civil.

GASTOS

O portal da transparência da Prefeitura de São Paulo, para 2015 e 2016, lista um total orçado de R$ 13,4 milhões para a manutenção de árvores na cidade de São Paulo. Mas, de acordo com dados do próprio site, nenhum real foi empenhado nem executado na ação.

A gestão Fernando Haddad afirmou que deve haver um erro no portal, porque esses recursos, desde 2015, são destinados às subprefeituras, que fazem a administração de acordo com as necessidades de cada região.

Fonte: Folha de São Paulo

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