Como seria a sua vida em São Paulo se as obras de mobilidade saíssem do papel

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obras de mobilidade

Imagine uma região metropolitana completamente integrada, com direito a acesso aos principais aeroportos paulistas. A população de São Paulo viveria com uma qualidade de vida nunca imaginada pelos mortais que saem diariamente de casa e enfrentam quatro horas de transporte público ineficiente para ir e voltar do trabalho.

Um mapa que circula há algum tempo pela internet mostra como ficaria o transporte sobre trilhos caso todas as obras saíssem do papel até 2020. Com licitações canceladas, obras paralisadas ou em ritmo mais lento que o previsto, fica impossível imaginar que parte considerável desses projetos esteja em funcionamento em apenas quatro anos.

Através dessa matéria a ideia é mostrar ao cidadão de São Paulo, o quanto sua vida mudaria caso todas essas obras de mobilidade virassem realidade. Confira a seguir algumas alterações:

1) A Linha 3-Vermelha seria menos lotada

Quem vive na Zona Leste da capital paulista sabe que depender dessa linha para trabalhar ou voltar para casa nos horários de pico é realmente um inferno. A Estação Corinthians-Itaquera, ponto de partida para a viagem que vai até a Barra Funda, recebe uma lotação enorme e, por isso, é difícil entrar nas composições logo de cara.

Muita gente que mora próxima a estações mais avançadas no sentido Palmeiras-Barra Funda ainda prefere pegar o metrô no lado oposto para tentar um lugar sentado em Itaquera. Ou simplesmente para conseguir entrar no vagão, tarefa que já parece impossível em Artur Alvim, segunda estação da linha.

Por que isso ocorre? Porque a Zona Leste é historicamente dependente da Linha 3-Vermelha do Metrô e da Linha 11-Coral da CPTM para alcançar a região central da cidade de São Paulo. Não há outra saída que não passe pelos serviços de ônibus.

Quem já enfrentou uma greve dos metroviários sabe o quanto o sistema de transporte público sobre pneus é incapaz de suportar a demanda daquela região.

Com pelo menos mais quatro linhas construídas na Zona Leste, o público de diversos bairros deixaria de se concentrar nas áreas mais críticas da Linha 3-Vermelha. Quem mora próximo à futura Estação Aricanduva da Linha 2-Verde, por exemplo, não precisaria mais acessar a estação Penha da Linha 3-Vermelha, podendo ir ao Centro usando integrações com as linhas 6-Laranja, 4-Amarela, ou simplesmente eliminando um ônibus para alcançar a Penha.

2) São Bernardo do Campo seria integrada ao transporte sobre trilhos

Uma das cidades mais importantes de São Paulo finalmente teria acesso à malha ferroviária e metroviária existente atualmente. A operação do monotrilho na Linha 18-Bronze do Metrô inicialmente ligaria o Paço Municipal à Estação Tamanduateí, com transferências à Linha 2-Verde para quem precisar ir até a região da Avenida Paulista, Hospital das Clínicas ou Vila Madalena, e também à Linha 10-Turquesa da CPTM.

Hoje em dia, quem mora em São Bernardo do Campo precisa usar os serviços de trólebus da Metra, gerenciada pela EMTU, que também é saturado e totalmente lotado na maior parte do horário de pico.

Em uma segunda fase, o monotrilho atenderá a região de Ferrazópolis, deixando o trólebus como um modal alternativo, e chegará ao bairro dos Alvarengas, local mais conhecido por quem acessa a Rodovia dos Imigrantes por São Bernardo do Campo, mas muito isolado dentro da própria cidade devido à falta de condições de sua principal via, a Estrada dos Alvarengas.

3) Ficaria ainda mais rápido chegar ao Estádio do Morumbi

Em outubro de 2018, foi inaugurada a Estação São Paulo-Morumbi da Linha 4-Amarela facilitando um pouco o acesso dos torcedores do São Paulo e fãs de música em geral ao Estádio Cícero Pompeu de Toledo, casa dos jogos do São Paulo e sede de alguns shows internacionais.

Outra linha famosa por virar lenda, a 17-Ouro, teria uma estação chamada Estádio do Morumbi e seria ainda mais próxima do estádio. Como o Estádio do Morumbi perdeu a Copa do Mundo de 2014 para a Arena Corinthians, em Itaquera, a prioridade foi por água abaixo.

Por enquanto, torcer pelo São Paulo ou acompanhar seu cantor ou banda favoritos é necessário descer na estação da Linha 4-Amarela na Avenida Professor Francisco Morato e caminhar a pé pela Avenida Jorge João Saad até o estádio.

4) Região de São Mateus dependeria menos do trólebus do Corredor ABD

A galera de São Mateus sabe que Santo André é praticamente um “puxadinho” da Zona Leste da capital paulista. Graças ao sistema de trólebus da Metra, ficou mais fácil acessar a cidade do ABC, que virou lugar para trabalhar e estudar. A Etec Júlio de Mesquita, no centro andreense, recebeu por anos uma massa de alunos dessa região.

Mas a missão dos trabalhadores e estudantes nunca foi fácil. O sistema da EMTU, como dissemos anteriormente, é saturado e extremamente lotado nos horários de pico, causando diversos transtornos nas estações e paradas no meio do caminho.

Quem é passageiro sabe o drama que passa quem está em um desses ônibus cujo cabo de força se solta com os fios de eletricidade espalhados pelas vias.

A Linha 14-Ônix, que prevê uma ligação entre Santo André e Guarulhos, vai cruzar com o monotrilho da Linha 15-Prata na Estação Sapopemba, duas depois de São Mateus no sentido Ipiranga.

Para quem sai de São Mateus, bastaria mudar para a Linha 14-Ônix, percorrer quatro estações, descer na futura Estação Pirelli, que deverá ficar ao lado do Shopping Atrium, em Santo André, e fazer a transferência para a linha 10-Turquesa da CPTM.

Sobraria apenas uma estação até o Centro da cidade. Trólebus? Será menos lotado e opção para quem não curte tantas baldeações.

5) Uma só linha integraria zona leste, regiões nobres, Brasilândia e Rodovia dos Bandeirantes

Ainda não se sabe quando as obras da Linha 6-Laranja do Metrô terão continuidade. Essa é a famosa linha que provocou protestos dos moradores de Higienópolis, em 2011, com direito a gente falando que o metrô atrai “gente diferenciada” aos bairros nobres.

Se um dia ficar pronta, apesar de atrasos, lentidão e do “chororô” visto no parágrafo acima, essa linha será a maior de toda a malha metroviária de São Paulo, tendo 33 estações e atendendo a regiões como a Rodovia dos Bandeirantes, Brasilândia, Freguesia do Ó, Água Branca, Pompeia, Perdizes, Higienópolis, Pacaembu, Bela Vista, Cambuci, Mooca, Anália Franco, e Cidade Líder.

Seria uma verdadeira linha de integrações, já que possibilitaria transferências a outras oito linhas de trem e metrô em toda a sua extensão. Seria uma nova forma de acesso também ao Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu.

6) Todos os principais estádios de futebol de São Paulo seriam beneficiados

Falamos um pouco sobre os estádios do Morumbi e Pacaembu nos itens anteriores, mas também o Allianz Parque, do Palmeiras, teria uma nova forma de acesso pela Linha 6-Laranja.

A Estação Sesc-Pompeia ficará localizada na esquina da Avenida Pompeia com a Rua Venâncio Aires, a poucos metros da Rua Turiassú e do Shopping Bourbon, vizinho do estádio palmeirense.

O caminho feito a pé até a arena será menor do que o necessário atualmente após desembarque na Estação Palmeiras-Barra Funda da Linha 3-Vermelha.

A Arena Corinthians, ao lado da Estação Corinthians-Itaquera, seria acessada mais facilmente também pelos torcedores de Guarulhos com a construção da Linha 14-Ônix, que passará pelo local.

Os corintianos que moram na Zona Leste em áreas que atualmente não são servidas por transportes sobre trilhos aguardam a extensão da linha 2-Verde do Metrô, que dará acesso à Linha 3-Vermelha na Estação Penha.

7) A Linha 5-Lilás seria integrada à Água Espraiada e Moema

No final de setembro de 2018, após inúmeros adiamentos, a Linha 5-Lilás finalmente se integrou com a Linha 1-Azul na Estação Santa Cruz e com a Linha 2-Verde na Estação Chácara Klabin, antes a linha só tinha integração com a Linha 9-Esmeralda da CPTM, na Estação Santo Amaro.

Mais adiante no futuro dos projetos (ou dos sonhos de quem ainda acredita na realização dessas obras) a Linha 5-Lilás também será integrada à linha 17-Ouro na Estação Água Espraiada, e com a Linha 20-Rosa, em Moema.

8) Chegar ao ABC pela Linha 10-Turquesa ficaria mais rápido

Não se sabe como uma obra aparentemente tão simplesmente possa ter sido abandonada pelo governo estadual. Já quase não se fala do Expresso ABC, uma linha paralela à 10-Turquesa que respeitaria paradas apenas nas principais estações no trecho Luz-Mauá. A economia de tempo seria sensível aos moradores do ABC que embarcam na região central da capital.

Quem pegasse um trem na Luz, por exemplo, veria a composição parar apenas nas estações Brás, Tamanduateí, São Caetano e Prefeito Celso Daniel-Santo André até chegar em Mauá.

Quem usa a linha 10-Turquesa sabe que foram reformados os trilhos e que existem linhas paralelas para o uso do Expresso ABC em diversos trechos. Não se sabe, porém, se esse projeto será concluído um dia.

Atualmente os passageiros do ABC contam com o chamado Expresso Linha 10 onde um trem parte nos horários de pico ligando as estações Santo André e Tamanduateí, obedecendo parada apenas na Estação São Caetano.

O fato é que a inauguração da Estação Luz da Linha 4-Amarela fez com que a gestão do governador Geraldo Alckmin optasse por tirar a Linha 10-Turquesa da Luz, dificultando o acesso da população do ABC como forma de não lotar as plataformas com a nova demanda.

9) Daria para ir de metrô da Avenida Paulista ao Itaim Bibi

As regiões mais nobres também seriam beneficiadas pelas obras do metrô, caso elas fossem concluídas. A Linha 19-Celeste, que ligaria a Estação Água Espraiada ao Parque Cecap, em Guarulhos, teria uma estação no Itaim Bibi e cruzaria com a Linha 2-Verde na Estação Brigadeiro.

Ou seja, quem estivesse na Avenida Paulista poderia embarcar nessa nova linha e descer na segunda estação no sentido Água Espraiada, um caminho que certamente pouparia alguns bons minutos de trânsito na Avenida Nove de Julho.

10) Acesso aos aeroportos seria facilitado

No final de março de 2018, a CPTM inaugurou a Linha 13-Jade ligando a Estação Engenheiro Goulart, que também atende a Linha 12-Safira, passando pela Estação Guarulhos-Cecap, até a região do Terminal 1 do Aeroporto de Guarulhos com a Estação Guarulhos-Aeroporto.

Porém para chegar aos terminais do aeroporto ainda é necessário embarcar em um transfer, existe um projeto de estender a linha até outros bairros de Guarulhos, mas ainda está no papel.

No outro aeroporto famoso, o de Congonhas, a construção de uma estação da Linha 17-Ouro, está com as obras atrasadas, sem previsão de quando será entregue.

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