Crise econômica faz lojas do aeroporto de Guarulhos fecharem

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Crise econômica
Funcionários do aeroporto trabalham em frente ao terminal 3 de Guarulhos (Foto: Moacyr Lopes Júnior/Folhapress)

A desaceleração no fluxo de passageiros já afeta pontos de vendas no aeroporto de Guarulhos. Apesar da abertura de unidade da Apple, no sábado, dia 15 de agosto, há lojas fechando as portas.

Duas unidades do restaurante Arábia fecharam no novo terminal 3, além de uma da marca americana de pipoca Garrett Popcorn e de uma loja da franquia Risotto Mix.

Os fechamentos ocorrem em um contexto de desaceleração geral nos aeroportos, em que até a operação de uma gigante no varejo de viagens, como a Dufry, já menciona em apresentações financeiras que o câmbio continua a enfraquecer o poder de compra do brasileiro.

A IMC (dona de marcas como Viena e Brunella) também sinaliza o impacto em seus resultados. Seu balanço do segundo trimestre aponta que o período de maturação das operações nos aeroportos concessionados do país, como é o caso de Cumbica, “está levando mais tempo que o esperado devido à deterioração do cenário econômico”.

Entre os fatores que elevaram as despesas operacionais e administrativas no segundo trimestre, está a alta dos aluguéis em tais aeroportos. Uma de suas lojas foi fechada, mas a IMC não revela qual.

O aluguel cobrado no novo terminal 3 é queixa recorrente entre lojistas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social informa que, além das receitas tarifárias, as receitas obtidas na exploração comercial dos espaços foram dadas como garantia aos empréstimos para as obras de expansão.

INVIÁVEL

O empresário Sérgio Kuczynski, do Arábia, diz que decidiu fechar porque a operação era comercialmente inviável. Na Risotto Mix, o fechamento também se deu pelo aluguel, segundo Alexandre Fico, responsável pelo marketing da firma.

O aeroporto todo tem 220 lojas, a maior parte ligada a grandes redes.

Para Marcos Hirai, sócio da BG&H Real Estate, especialista em pontos comerciais, esse tipo de frustração é típico de empreendimentos novos. “Isso ocorre em shoppings novos. A primeira leva de lojistas entra com base no estudo da planta, e a estimativa pode não se concretizar.”

O mau humor abrange os antigos terminais 1 e 2, que perderam parte dos passageiros internacionais, transferidos para o terminal 3.

Vendido com exaltação antes de ser inaugurado, no ano passado, o terminal 3 atraiu grandes grifes e é visto como o principal teste para o varejo de aeroportos no país.

Marcus Santarém, presidente do Aeroporto Internacional de Guarulhos, diz que os impactos da crise afetam todo o aeroporto, que teve crescimento de só 0,16% no fluxo de passageiros no primeiro semestre ante igual período de 2014.

O número é baixo se comparado aos avanços de dois dígitos dos últimos anos. Para se adequar à nova realidade, empresas aéreas estão reduzindo frequência de voos.

“Nesse cenário de crise e redução do volume de passageiro, eu também perco receita tarifária”, diz Santarém, que diz estar trabalhando com algumas empresas para fazer ações promocionais que incentivem o consumo.

Para ele, os fechamentos são pontuais, os espaços vagos têm sido preenchidos e isso é a reciclagem normal.

A Ancab, que representa as lojas de aeroportos, orientou os associados a pedir “fôlego” à GRU Airport. A negociação das lojas costuma envolver pagamento de um percentual do faturamento -se o valor acertado em contrato não é atingido, paga-se uma garantia mínima.

“No momento da negociação [para a abertura das lojas], o Brasil estava em plena ascensão. Ninguém imaginava o que aconteceria, com custos fixos subindo, dólar alto.”

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