Os investimentos em infraestrutura de transporte previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 (PLOA 2027) somam R$ 16,07 bilhões, valor 4,0% inferior ao da proposta de 2026, segundo análise divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). A redução representa R$ 661,28 milhões a menos, em um cenário no qual os investimentos públicos federais totais programados para o próximo ano devem crescer 12,8% e alcançar R$ 297,60 bilhões.
Os dados fazem parte da série de Economia – Investimentos em Transporte: PLOA 2027, apresentada nesta quarta-feira (21), que analisa a destinação dos recursos públicos para o setor. Já o PLOA 2027 estima despesas totais de R$ 7,45 trilhões, incluindo os orçamentos fiscal, da seguridade social e das estatais.
Rodovias concentram maior fatia dos recursos
Do total destinado à infraestrutura de transporte, R$ 14,61 bilhões correspondem a investimentos da União e cerca de R$ 1,45 bilhão às empresas estatais. Dentro da parcela federal, o transporte rodoviário fica com R$ 12,46 bilhões, o equivalente a 85,2% dos recursos da União previstos para o setor.
Apesar da concentração, a CNT afirma que o valor ainda está distante das necessidades identificadas. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 estimou em R$ 49,93 bilhões o montante necessário para manutenção, restauração e reconstrução das rodovias federais sob gestão pública, valor quatro vezes superior ao previsto no PLOA 2027 para o transporte rodoviário.
Os demais recursos da União se distribuem entre os transportes ferroviário, aquaviário e aéreo, que respondem por 5,5%, 4,4% e 1,5% do total, respectivamente. O transporte aquaviário apresenta o maior crescimento percentual, com R$ 640,73 milhões, alta de 35,6% em relação ao PLOA 2026. Em contrapartida, o transporte ferroviário cai para R$ 808,61 milhões, ante R$ 929,22 milhões na proposta anterior, e o aéreo soma R$ 212,61 milhões, abaixo dos R$ 279,49 milhões previstos no PLOA 2026.
Distribuição dos recursos avança no Congresso
A CNT também detalhou como os investimentos se distribuem entre os órgãos responsáveis pela execução orçamentária. No Ministério dos Transportes, os valores previstos chegam a R$ 13,67 bilhões, quantia semelhante à do PLOA 2026. Desse total, R$ 12,42 bilhões ficam sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
No Ministério de Portos e Aeroportos, os investimentos alcançam R$ 941,53 milhões, alta de 22,6% em relação à proposta orçamentária de 2026. O resultado ocorre mesmo com a redução do orçamento total da pasta, segundo a análise da confederação.
Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, a tramitação do orçamento no Legislativo abre espaço para aprimorar a destinação dos recursos. “O planejamento dos investimentos é fundamental para atender as necessidades do setor de transporte brasileiro, ampliar a eficiência logística e contribuir para a competitividade da economia do país. A análise da proposta orçamentária permite identificar oportunidades de aperfeiçoamento na distribuição dos recursos, de modo a direcioná-los às áreas prioritárias para o desenvolvimento do transporte brasileiro”, afirma.
O projeto de orçamento para 2027 tramita no Congresso Nacional.