A mobilidade urbana volta ao centro da discussão com o segundo turno das eleições, enquanto cidades brasileiras tentam garantir a continuidade dos investimentos e da modernização do transporte público independentemente de quem assume o governo. O tema ganha força porque, para milhões de brasileiros, o deslocamento diário depende de políticas que atravessam mandatos e ciclos eleitorais.
Segundo dados do IBGE citados no artigo, 21,4% dos trabalhadores brasileiros usam o ônibus como principal meio para chegar ao trabalho. Além disso, o Novo PAC prevê R$ 6,5 bilhões para 33 projetos de mobilidade urbana em 28 municípios, o que reforça a dimensão da agenda em curso.
Investimentos existem, mas o desafio exige continuidade
No texto, João Valle, diretor da Empresa 1, afirma que a mobilidade precisa ser tratada como uma política de longo prazo. “Os desafios da mobilidade não pertencem a um governo, a um partido ou a um ciclo eleitoral. Eles fazem parte da rotina de milhões de brasileiros.”
Ele lembra que a carteira do Novo PAC inclui BRTs, VLTs, trens urbanos, metrôs, corredores de ônibus e projetos de integração com ciclovias e rotas de pedestres. No entanto, o autor ressalta que obras, por si só, não resolvem o problema. Projetos de transporte envolvem diferentes níveis de governo, operadores, fornecedores e fontes de financiamento, além de precisarem acompanhar mudanças nas cidades e nas tecnologias.
Mobilidade urbana e tecnologia para melhorar o transporte
O artigo também destaca que há espaço para avançar nos sistemas já existentes. Entre as soluções apontadas estão bilhetagem eletrônica, integração tarifária, rastreamento, monitoramento da operação, meios de pagamento digitais e ferramentas de gestão mais eficientes.
“Modernizar o transporte público não significa apenas colocar veículos novos nas ruas”, escreve Valle. “Dados em tempo real, integração tarifária, meios de pagamento digitais, informação mais precisa ao passageiro e ferramentas de gestão mais eficientes podem gerar impacto direto na experiência de quem utiliza o sistema todos os dias.”
O autor ainda observa que o transporte público precisa ser acessível à população, mas também sustentável financeiramente, com capacidade de garantir investimento, manutenção e atualização ao longo do tempo. Para ele, a eleição ajuda a colocar o assunto em evidência, porém o desafio começa justamente quando a campanha termina.
No encerramento, Valle defende uma visão de longo prazo para o setor. “Mais do que propostas para os próximos quatro anos, o transporte público brasileiro precisa de uma visão capaz de atravessar governos. A eleição passa, mas para quem acorda todos os dias e precisa chegar ao trabalho, à escola, ao hospital ou a qualquer outro ponto da cidade, a mobilidade precisa continuar.”
João Valle é diretor da Empresa 1, centro de inovação em mobilidade urbana e pioneira da bilhetagem eletrônica no Brasil.