Os feriados prolongados mudam a dinâmica das estradas e pressionam o transporte de cargas a operar com mais planejamento, previsibilidade e flexibilidade. O aumento do fluxo de veículos nas rodovias, somado às restrições temporárias para caminhões em determinados trechos e horários, obriga transportadoras a revisar rotas, ajustar entregas e reforçar o monitoramento das viagens.
Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ajudam a dimensionar esse cenário. Na Páscoa de 2026, mais de 11,2 milhões de veículos circularam pelas rodovias federais concedidas entre 2 e 5 de abril. Já no feriado de Corpus Christi, foram cerca de 11,4 milhões de veículos pagantes, alta de aproximadamente 3,1% em relação ao mesmo período de 2025. No feriado de 7 de Setembro, as rodovias concedidas registraram cerca de 12,6 milhões de passagens de veículos pelas praças de pedágio entre 4 e 7 de setembro.
Restrição de caminhões e impacto no planejamento logístico
Além do aumento de movimento, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) estabeleceu, em 2026, períodos de restrição para veículos e combinações de veículos que excedem limites regulamentares de peso e/ou dimensões, sobretudo em trechos de pista simples durante feriados. A medida abrange, entre outros, veículos com mais de 2,60 metros de largura, 4,40 metros de altura, 19,80 metros de comprimento ou 58,5 toneladas de Peso Bruto Total Combinado (PBTC), conforme as condições e os períodos definidos na regulamentação.
Para as transportadoras, isso exige atenção não apenas à distância entre origem e destino, mas também ao comportamento esperado das rodovias e às restrições ao longo do percurso. Antecipar rotas, revisar horários, ajustar janelas de entrega e acompanhar as condições da viagem ajudam a reduzir imprevistos e a preservar a previsibilidade da operação.
“Quando o fluxo das rodovias muda, toda a operação precisa considerar esse novo cenário. Mapear os períodos de maior circulação, verificar as restrições aplicáveis e organizar os horários de saída e entrega são medidas importantes para reduzir atrasos e dar mais previsibilidade ao transporte”, afirma Claudio Biscola, líder comercial da Thermo King para a América do Sul, empresa pioneira no desenvolvimento de soluções de controle de temperatura para o transporte.
Atenção redobrada nas cargas refrigeradas
O planejamento ganha ainda mais importância nas operações que transportam produtos sensíveis ao tempo e à temperatura, como alimentos, medicamentos e outros itens perecíveis. Em viagens refrigeradas, atrasos e mudanças no percurso podem prolongar o tempo de transporte e dificultar o cumprimento dos horários programados. Se a operação não acompanhar esses imprevistos de forma adequada, a carga pode ficar mais exposta a riscos e ter sua integridade comprometida, especialmente quando há falhas no controle da temperatura ou interrupções na cadeia refrigerada.
Nesse contexto, a telemetria e as tecnologias de monitoramento se tornam aliadas importantes. Ao ampliar a visibilidade sobre as condições da operação e permitir o acompanhamento de informações da viagem e do equipamento, essas ferramentas ajudam a identificar desvios, acompanhar o funcionamento do sistema de refrigeração e apoiar decisões mais rápidas diante de mudanças no trajeto. Além disso, os dados em tempo real, conforme os recursos de cada solução, contribuem para que as equipes atuem preventivamente e reduzam a dependência de respostas apenas depois que um problema acontece.
“Em uma operação refrigerada, não basta saber onde o veículo está: é importante acompanhar também as condições em que a carga está sendo transportada. O monitoramento ajuda a identificar situações que exigem atenção e a agir com mais rapidez diante de possíveis desvios. Quanto maior a visibilidade sobre a viagem e o equipamento, maior a capacidade de proteger a carga e manter o controle da operação”, complementa Biscola.