Autoridade de saúde defende transporte sobre trilhos como política de prevenção

O transporte sobre trilhos ganhou destaque como pauta de saúde pública, cidadania e sustentabilidade durante a 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, em São Paulo. Na avaliação do médico patologista e pesquisador da USP Paulo Saldiva, o transporte sobre trilhos pode reduzir doenças, acidentes e custos para o sistema público de saúde.

Segundo Saldiva, a dependência dos veículos rodoviários nas grandes metrópoles agrava problemas sanitários e sociais. Ele afirmou que dados da Organização Mundial da Saúde indicam que 20% dos novos diagnósticos de câncer de pulmão no Brasil atingem pacientes não fumantes e que, desse grupo, 15% se associam diretamente à exposição contínua à poluição atmosférica urbana.

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  • O pesquisador também relacionou o modal metroferroviário à cidadania, enquanto apontou a malha viária como fator de exposição da população a acidentes graves de trânsito. Para ele, esse cenário sobrecarrega o Sistema Único de Saúde com tratamentos e reabilitações de alto custo.

    “Os governantes precisam entender o que a loucura dos congestionamentos e o volume de acidentes nas grandes metrópoles expõe as pessoas a doenças respiratórias e a traumas e reabilitações de alto custo, consumindo recursos públicos vultuosos. Estamos enxugando gelo”, disse Saldiva.

    Em tom de provocação, ele sugeriu que as indústrias farmacêuticas financiem a expansão do metrô. “Por que as indústrias farmacêuticas não financiam as obras de expansão sobre trilhos, em vez de gastarem com propagandas de medicamentos? Investir em metrô é prevenir problemas de saúde pública na origem”, afirmou.

    Memória ferroviária e debate sobre mobilidade

    Além da palestra, o evento abriu espaço para a memória ferroviária com o lançamento da 2ª edição revisada do livro Expresso Ver de Trem, de Carlos Lopes, em colaboração com o historiador e presidente da AEAMESP, Ayrton Camargo e Silva.

    A obra registra uma viagem de 2 mil quilômetros, feita em sete dias entre Salvador e o Rio de Janeiro, e usa esse percurso histórico para denunciar o desmantelamento da infraestrutura ferroviária nacional e discutir seus impactos ambientais. Segundo o material divulgado, a expedição contou com 120 participantes, entre eles o artista Gilberto Gil e ambientalistas.

    A programação da 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária segue até sexta-feira com debates sobre financiamento, trens turísticos e gestão de cargas no TIC. O encerramento terá palestra da Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo sobre investimentos na expansão da malha metroferroviária da capital.

    Destaques da 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária

    O evento ocorre de 1º a 4 de setembro de 2026, no Nikkey Palace Hotel, na Liberdade, em São Paulo, com realização da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (AEAMESP). A programação completa está disponível no site da entidade.

    Entre os apoiadores e patrocinadores informados na divulgação estão empresas, instituições e entidades do setor metroferroviário, além de organismos de classe e veículos especializados. A organização também destaca a AEAMESP como referência técnica e científica no segmento.

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