O mercado de veículos no Brasil apresentou sinais de acomodação entre julho e agosto de 2026, segundo boletim parcial divulgado pela Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF). A entidade atribuiu o movimento a um cenário macroeconômico mais incerto e a uma postura mais seletiva na concessão de crédito.
Veículos zero quilômetro mantêm estabilidade, mas usados recuam
No segmento de veículos zero quilômetro, o volume total de emplacamentos somou 504.232 unidades, com oscilação praticamente estável de -0,1% em relação a julho de 2026. No acumulado de janeiro a agosto, porém, o setor avançou 15,3% frente ao mesmo período de 2025.
Entre os destaques, os automóveis lideraram com 213.100 unidades, alta de 0,1%, seguidos pelas motos, que chegaram a 203.458 emplacamentos e cresceram 3,0%.
Já o mercado de seminovos e usados registrou retração de 3,1% na comparação mensal, totalizando 1.699.475 unidades comercializadas. A queda foi puxada principalmente pelos usados maduros, de 9 a 12 anos, com baixa de 4,1%, e pelos usados jovens, de 4 a 8 anos, que recuaram 3,8%. Os seminovos, de 0 a 3 anos, ficaram praticamente estáveis, com variação de -0,1%.
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Inadimplência sobe e instituições apertam o crédito
Na avaliação da ANEF, o avanço da inadimplência entre pessoas físicas e jurídicas levou as instituições financeiras a adotar uma política mais rigorosa na concessão de financiamentos. Embora existam incentivos governamentais para ampliar a oferta de crédito, os bancos mantêm cautela diante dos riscos do momento econômico.
Em análise conjuntural, Enilson Sales, presidente da ANEF, afirmou que “a forte competição gerada pela chegada de modelos elétricos aumentou o mercado total, mas reduziu a fatia individual dos players tradicionais. O executivo destaca que o cenário de instabilidade institucional doméstica, somado às tensões geopolíticas globais, gerou um clima de incerteza que posterga investimentos e desacelera o consumo.”
Dados analisados pela Acrefi também apontam que o aperto na política de crédito reflete o comportamento cauteloso do mercado diante das variações de juros e da necessidade de mitigar riscos.
A ANEF informou ainda que os dados divulgados são parciais e se referem a agosto de 2026. A entidade deve apresentar os números consolidados do mês nos próximos dias.