A discussão sobre cidade de 15 minutos voltou a ganhar espaço em Curitiba após um levantamento do BNDES reforçar o peso da mobilidade na rotina urbana. Ao mesmo tempo, o Neoville, na Zona Sul da capital, aparece como exemplo de ocupação planejada e de desenvolvimento imobiliário organizado.
O conceito, estudado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), parte da ideia de aproximar moradia, serviços e atividades do dia a dia. Já o estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, realizado em parceria com o Ministério das Cidades, mostra que o tempo médio de uma viagem no transporte coletivo de Curitiba é de 49 minutos.
Mobilidade e proximidade entram no debate urbano
O levantamento analisou 21 regiões metropolitanas e apontou que Curitiba ficou abaixo da média de 62,7 minutos registrada no conjunto das áreas pesquisadas. Na Região Metropolitana de Curitiba, a média chegou a 51,9 minutos. Os dados colocam em perspectiva o impacto do tempo de deslocamento na experiência urbana e na qualidade de vida.
Segundo a OCDE, a proximidade entre pessoas e destinos influencia o bem-estar e a qualidade do ambiente construído. Nesse cenário, a proposta de aproximar trabalho, compras, educação, lazer e socialização da moradia passa a orientar a reflexão sobre cidades mais funcionais e acessíveis.
Neoville se consolida como área planejada na Zona Sul
Em Curitiba, o Neoville ocupa cerca de 1 milhão de metros quadrados e nasceu da decisão da família Canet de transformar uma grande área em território planejado, com infraestrutura urbana, organização viária e áreas verdes integradas ao desenvolvimento imobiliário. O projeto, conduzido pela Canet Júnior ao longo dos anos, estruturou uma nova dinâmica de ocupação na região.
O planejamento inclui ruas ortogonais, um bosque nativo de aproximadamente 236 mil metros quadrados e um parque linear de cerca de 65 mil metros quadrados. Além disso, a região reúne casas, condomínios, escolas, empresas e novos empreendimentos, em um processo gradual de consolidação.
Segundo a Prefeitura de Curitiba, o Neoville se firmou como o principal eixo de desenvolvimento imobiliário da Zona Sul. Com conexões pela Rua Pedro Gusso e pela Avenida das Indústrias, a área recebe novos empreendimentos e amplia sua ocupação ao longo do tempo.
Para Jaqueline Milstein, diretora-presidente da Canet Júnior, a transformação da cidade influencia diretamente a escolha dos moradores. “A qualidade de vida está cada vez mais relacionada à forma como as pessoas conseguem viver o seu cotidiano. Ter comércio, serviços, lazer e espaços de convivência próximos reduz deslocamentos e cria uma relação diferente com o lugar. Essa dinâmica é resultado de um processo de maturação urbana, em que diferentes usos vão se complementando e fortalecendo o endereço ao longo do tempo. O Neoville já consolidou esse caminho, com uma identidade própria e reconhecida. A chegada do Paseo Santiago representa mais uma etapa dessa trajetória”, afirma.
O Paseo Santiago, condomínio de lotes de alto padrão lançado em 2024, avança para a entrega dos lotes aos moradores. O empreendimento reúne 54 unidades em uma área de aproximadamente 17 mil metros quadrados e já conta com pavimentação, redes de água e esgoto, iluminação, paisagismo e áreas de lazer.
Entre os espaços disponíveis estão academia, playgrounds, quadra esportiva, salão de festas, churrasqueiras, espaço pet e jardins contemplativos. O controle de acesso também integra a proposta de segurança do condomínio.
A trajetória do advogado e empresário Symon John Alexandre mostra como a região consolidou uma relação de pertencimento com seus moradores. Há cerca de 15 anos, ele procurava um lote para construir sua casa e encontrou no Neoville segurança, infraestrutura e comércio próximo. “Quando procurei o Neoville, há cerca de 15 anos, queria encontrar um lugar para construir minha casa e viver bem com a minha família. O planejamento, a segurança, a infraestrutura e a proximidade de mercados e comércio foram muito importantes. Eu não queria que minha rotina dependesse de grandes deslocamentos para resolver coisas simples do dia a dia”, conta.
Symon também afirma que a convivência reforçou o vínculo com o local. “Alguns amigos vieram morar aqui por indicação minha e hoje são meus vizinhos. Isso criou uma relação ainda mais próxima, porque passamos a compartilhar também a mesma região e a rotina. Existe um sentimento de comunidade que foi sendo construído ao longo desses anos”, afirma.
Depois disso, ele voltou a investir na região ao adquirir um lote no Paseo Santiago e uma unidade no Meo Neoville. Segundo Symon, a decisão veio da confiança na infraestrutura e na administração local. Ele afirma que, ao acompanhar a fase final do novo empreendimento, passou a considerar até a possibilidade de morar ali. “Quando comprei o lote, minha intenção era investir. Mas, conforme fui vendo o Paseo Santiago chegar à fase final, comecei a gostar muito do empreendimento e a pensar que talvez pudesse morar ali. Depois de 15 anos no Neoville, posso estar começando um novo capítulo aqui”, conta.
Assim, Curitiba vê a pauta da proximidade urbana ganhar novo destaque, enquanto o Neoville avança como um caso concreto de ocupação planejada e de integração entre moradia, infraestrutura e desenvolvimento imobiliário.