A Avenida John Boyd Dunlop vem registrando queda gradual nos sinistros e nas mortes no trânsito desde 2023, segundo estudo da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). A redução resulta de obras de redesenho viário, fiscalização mais intensa e campanhas de conscientização.
De acordo com os dados divulgados, a média de sinistros na via caiu de 65,9 para 60,8 por trimestre, o que representa recuo de 9%. Já a gravidade trimestral dos sinistros, medida pela Unidade Padrão de Severidade, diminuiu de 155,5 para 141,6.
Entre os sinistros fatais, a média recuou de 2,4 para 1,7 por trimestre, uma queda de 29%. Na prática, isso significa três vidas salvas por ano na via, segundo a Emdec. Os números consideram, desde este ano, a metodologia com sobrevida de até 30 dias após a data do sinistro.
Fiscalização, obras e campanhas sustentam a redução
A via, a mais extensa de Campinas, tem cerca de 12,4 km por sentido e recebe aproximadamente 62 mil veículos por dia, conforme os equipamentos de fiscalização eletrônica. Ainda assim, o município aponta melhora contínua nos indicadores de segurança viária.
Na série histórica de cinco anos, as mortes caíram 69% na avenida, passando de 13 óbitos em 2021 para quatro em 2025. Na comparação entre 2024 e 2025, a redução foi de 43%, com sete mortes para quatro, o que representa três vidas salvas no período.
Mesmo com a melhora, a avenida ainda concentra parte relevante das ocorrências. Em 2025, respondeu por 5,4% das 74 mortes registradas em vias urbanas. Em 2026, até julho, duas das 26 mortes em vias urbanas ocorreram na JBD: um motociclista e um pedestre.
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Cruzamento com a Mário Scolari deixa primeiro lugar entre pontos críticos
O cruzamento da avenida John Boyd Dunlop com a Mário Scolari, que liderava o ranking dos 50 pontos críticos de Campinas, caiu para a oitava posição no levantamento que considera o período de 2023 a julho de 2026.
No segundo semestre de 2023, o local recebeu intervenções na geometria, na sinalização e na circulação. As medidas foram definidas a partir de mapeamentos técnicos da Emdec e da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global (BIGRS) e buscaram reduzir as velocidades, diminuir o risco de colisões nas conversões e encurtar as travessias de pedestres.
Desde então, a média de sinistros no cruzamento caiu de sete para 5,7 por trimestre, queda de 18,5%. A gravidade trimestral também recuou, de 14,62 para 11,9, redução de 18,6%.
O estudo considera dados de janeiro de 2018 a junho de 2026. No período, o cruzamento registrou 226 sinistros: 113 sem vítimas, 104 com vítimas feridas, oito atropelamentos e um sinistro fatal.
As ações de reforço incluem 30 equipamentos de moderação da segurança viária na avenida ou no eixo, sendo 23 radares para velocidade, avanço e parada sobre a faixa, além de sete pontos que fiscalizam a velocidade máxima permitida de 50 km/h. Outros dois pontos vão receber novos radares a partir de 15 de setembro, e um trecho já conta com videomonitoramento, perto da Estação BRT Ipaussurama.
A Emdec também adotou o remanejamento de radares para ampliar a segurança sem aumentar o número de equipamentos. Entre 2024 e 2026, a autarquia remanejou 12 radares, sendo quatro na JBD e um no eixo da avenida, em locais com travessias de pedestres e presença de usuários do transporte coletivo.
Além disso, a Emdec realizou 156 blitze integradas em 2026, dentro das operações de fiscalização e da chamada “Operação pela Vida”, voltadas a coibir condutas de risco e o consumo de álcool no trânsito. A avenida também recebe abordagens educativas e campanhas de segurança viária, como a ação “JBD Morte Zero”, realizada em 2022.
Apesar da queda nas mortes, a via segue entre as que mais registram comportamentos de risco em Campinas. Entre janeiro e agosto de 2026, a cidade somou 582,1 mil autuações, das quais 94,8 mil ocorreram na JBD, o equivalente a 16,3% do total. Em 2025, a avenida também concentrou mais de 16% das penalidades expedidas.