A mobilidade urbana esteve entre os principais temas do primeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), realizado no domingo (9), na Band TV. Além de trocarem críticas sobre o programa de concessões do estado, os dois divergiram sobre a participação do governo federal no financiamento de grandes obras de infraestrutura.
Disputa sobre financiamento e concessões
Ambos disputaram o protagonismo sobre o Túnel Santos-Guarujá. Tarcísio afirmou que o Estado foi responsável pela maior parte dos recursos destinados ao empreendimento e destacou que a contrapartida paulista representa 84% do aporte público previsto para a obra. Haddad respondeu destacando o papel da União no financiamento de projetos em São Paulo, citando R$ 13,7 bilhões em operações aprovadas pelo BNDES para o estado. Ele afirmou que diversas obras dependem de recursos ou garantias do governo federal para sair do papel.
O tema voltou ao debate quando Haddad cobrou uma avaliação crítica das concessões estaduais, mencionando problemas recentes registrados no transporte metropolitano. “Não sou contra o setor privado, mas agora está tendo uma onda de privatizações“, afirmou o ex-ministro, que citou também episódios envolvendo a operação ferroviária nas últimas semanas.
Mobilidade e desafios no relacionamento entre governos
Durante o confronto, Haddad criticou o estilo do adversário ao apresentar números e obras do governo estadual, enquanto Tarcísio afirmou que a relação entre os governos estadual e federal não tem ocorrido de forma plenamente republicana. Nesse contexto, o governador citou novamente operações de crédito destinadas à expansão da Linha 5-Lilás do Metrô, sustentando que financiamentos de interesse do Estado permanecem parados na esfera federal.
A discussão retoma uma disputa que ganhou força nos últimos meses. O governo paulista afirma que pedidos de financiamento para obras de infraestrutura, incluindo expansões de linhas metroferroviárias, enfrentaram demora incomum na tramitação junto ao governo federal, comprometendo o planejamento financeiro dos empreendimentos. Entre os casos citados está a perda de um financiamento do Banco Mundial destinado às extensões das linhas 2-Verde e 4-Amarela. Segundo o governo paulista, a operação precisou ser reiniciada após o vencimento dos prazos de análise.
Outra operação ainda em tramitação reúne cerca de R$ 6 bilhões em financiamentos destinados às expansões das linhas 5-Lilás, 6-Laranja, 8-Diamante, 9-Esmeralda, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além de outros projetos de infraestrutura.
O governo federal nega qualquer retenção por motivos políticos. Em manifestações anteriores, o Ministério da Fazenda afirmou que os pedidos seguem o trâmite regular e que houve necessidade de complementação de documentação durante a análise. A pasta também sustentou que o aumento da demanda por operações de crédito em período eleitoral contribuiu para ampliar os prazos de tramitação.
O BNDES também rebateu as críticas nos últimos dias. O presidente da instituição, Aloizio Mercadante, afirmou que São Paulo é o estado que mais recebeu financiamentos aprovados pelo banco na atual gestão federal e atribuiu ao governo Lula participação em projetos como o Trem Intercidades Eixo Norte, o Túnel Santos-Guarujá e outras obras de infraestrutura.
