A extensão da Linha 4-Amarela avançou na última semana de julho com a continuidade das escavações da futura Estação Taboão da Serra, em uma etapa iniciada em março deste ano. Cerca de 100 profissionais atuarão em três turnos, em operação contínua de 24 horas por dia.
O projeto marca a primeira vez que o metrô paulista ultrapassa os limites da capital e prevê 3,3 km de túneis, duas novas estações e investimento de R$ 4 bilhões. Segundo a Motiva Trilhos, a obra segue com a abertura da estrutura subterrânea após a conclusão de serviços preliminares, como demolições, remoção de interferências, preparação do canteiro e terraplanagem.
Escavação da futura estação usa método NATM
A escavação será executada pelo método NATM (New Austrian Tunnelling Method), técnica que permite avanço gradual da frente de trabalho, reforço imediato das paredes e monitoramento permanente das condições do solo. Ao todo, a obra executará cinco poços secantes, estruturas essenciais para viabilizar a construção da estação e o acesso às frentes subterrâneas.
Esses poços também permitirão a retirada de solo, a movimentação de equipamentos e materiais e a integração à estrutura definitiva da estação. O Consórcio Expresso Linha 4, formado pelas construtoras EGTC e Teixeira Duarte, executa o empreendimento, administrado pela plataforma de trilhos da Motiva.
Para Ricardo Benício, diretor da Extensão da Linha 4-Amarela da Motiva Trilhos, a fase atual representa um marco. “Nesta etapa, a obra ganha forma abaixo do solo, seguindo um planejamento técnico rigoroso, com monitoramento permanente e métodos construtivos consolidados, sempre com foco na segurança das equipes, da população e das edificações do entorno. Quando concluída, a extensão permitirá reduzir para cerca de 30 minutos o tempo de deslocamento entre Taboão da Serra e Luz, além de retirar aproximadamente 33 mil veículos das ruas todos os dias, gerando benefícios para a mobilidade e para o meio ambiente”, afirma.
Mobilidade, empregos e nova ligação metropolitana
A escavação contará com retroescavadeiras e sistemas de içamento, responsáveis pela retirada do material em caçambas transportadas por caminhões basculantes. O avanço ocorrerá de forma gradual, em ciclos de um metro de profundidade, até completar toda a circunferência do poço antes da passagem para o nível seguinte.
Durante o processo, as equipes aplicarão concreto projetado e telas metálicas para formar os revestimentos primário e secundário, garantindo a estabilidade do solo até a profundidade final, de aproximadamente 35 metros. Depois disso, a obra receberá a laje de fundo da estrutura.
Além disso, a intervenção mantém monitoramento geotécnico permanente com inclinômetros, marcos superficiais e bombas submersas para rebaixamento do lençol freático. Esse acompanhamento ajuda a controlar o comportamento do solo, preservar a estabilidade da obra, proteger as edificações do entorno e reforçar a segurança das equipes.
Com previsão de transportar 50 mil novos passageiros por dia, a extensão até Taboão da Serra marcará a primeira vez que o metrô paulista cruzará a fronteira da capital. As novas estações Taboão da Serra e Chácara do Jockey foram projetadas com soluções de resiliência climática e sustentabilidade, incluindo drenagem contra enchentes, iluminação em LED, isolamento térmico, preparação para painéis solares, captação e reúso de água da chuva, além de acessibilidade total.
O empreendimento também deve impulsionar a geração de empregos. Até o fim de 2026, a expectativa é abrir 876 vagas em mais de 80 funções. Ao longo de toda a execução, o projeto deverá gerar mais de 4 mil empregos diretos e indiretos, com prioridade para moradores locais.
Atualmente, mais de 460 profissionais atuam nas obras. A Motiva mantém parceria com a Trilha Carreiras para ampliar o acesso das comunidades do entorno ao mercado de trabalho, com capacitação profissional, consultoria de carreira, apoio para currículos e preparação para processos seletivos.
Os interessados podem enviar o currículo para curriculo.cel4@cel4.com.br ou entregá-lo em um dos Centros de Atendimento à Comunidade (CACs) próximos aos canteiros.