O IX Simpósio de Engenharia Ferroviária reuniu mais de 300 participantes para discutir avanços no transporte ferroviário brasileiro. O evento ocorreu nos dias 24 e 25 de junho de 2026, no Centro de Convenções da Unicamp, em Campinas (SP).
Palestras e debates sobre inteligência artificial e descarbonização
O simpósio contou com palestras internacionais, mesas-redondas e apresentações de pesquisas aplicadas. O professor Sakdirat Kaewunruen, da Universidade de Birmingham, abriu o evento com uma palestra sobre monitoramento da infraestrutura ferroviária usando inteligência artificial. Ele destacou que a manutenção baseada na condição real dos ativos substitui a inspeção periódica tradicional, antecipando falhas e reduzindo custos.
Outro destaque foi a mesa-redonda “Transição Energética e Inovação: Ferrovia 4.0 e Desafios Ambientais”, que reuniu especialistas da Unicamp, Vale, Rumo e Progress Rail. O debate apontou que a transição energética será gradual, iniciando com combustíveis renováveis como etanol e biodiesel, e avançando para eletrificação e hidrogênio no médio e longo prazo.
Os participantes também discutiram a amônia como alternativa energética, mas consideraram-na pouco competitiva para o Brasil. Foi consenso que não haverá uma solução única para a matriz energética ferroviária, que dependerá das características de cada aplicação e do aproveitamento local de energia de baixo carbono.
Avanços em mecatrônica e sistemas ferroviários
No segundo dia, o professor Roger Dixon, também da Universidade de Birmingham, apresentou aplicações da mecatrônica no setor ferroviário. Ele mostrou como sensores, sistemas inteligentes e automação aumentam a confiabilidade dos ativos e possibilitam novas formas de manutenção e monitoramento.
Um exemplo foi o sistema de mudança de via (AMV) desenvolvido pela universidade, com arquitetura redundante e tolerante a falhas. Esse sistema reduz a necessidade de interrupções para manutenção corretiva e aumenta a disponibilidade operacional da infraestrutura.
Foram apresentados ainda resultados das Cátedras de Veículos Ferroviários e Roda-Trilho, além de sessões técnicas sobre veículos, sistemas de controle, logística e inovação aplicada.
Homenagem, perspectivas e premiações
O evento homenageou a professora Liedi Bernucci, vice-reitora da USP e referência nacional em infraestrutura ferroviária. A programação incluiu palestra do diretor-presidente da ANTF, Davi Barreto, que apresentou perspectivas para o transporte ferroviário brasileiro.
A conferência de encerramento foi ministrada pelo diretor da ANTT, Alessandro Baumgartner, que abordou desafios regulatórios e novos caminhos para as ferrovias no país.
Durante o simpósio, dezenas de trabalhos científicos foram apresentados, fortalecendo a integração entre universidades, centros de pesquisa e empresas.
O Heavy Rail Elsevier Best Paper Award premiou o melhor trabalho científico, intitulado “Redução de esforços longitudinais no conjunto choque-tração de vagões da EFC após ajustes operacionais em viradores TKS: validação com vagão instrumentado”. O estudo demonstrou a redução dos esforços e o aumento da confiabilidade no processo de descarga de vagões heavy haul.
Continuidade do Simpósio e importância para o setor
O IX Simpósio reafirmou seu papel como espaço de integração entre academia, indústria e operadores ferroviários. A próxima edição será realizada em maio de 2027, mantendo o foco na inovação e desenvolvimento da engenharia ferroviária nacional.
O Simpósio de Engenharia Ferroviária foi criado em 2017 por pesquisadores de diversas universidades brasileiras. O evento é promovido por instituições como Unicamp, IFSP, UFES, Unisanta, UFJF, Escola Politécnica da USP e IME.
A edição anterior, em 2025, reuniu mais de 250 participantes, mostrando o crescimento e a relevância do simpósio para o setor ferroviário brasileiro.