Bilhetagem aberta pode alavancar mobilidade urbana: confira cinco benefícios 

Melhoria da experiência do usuário, desoneração do poder público e geração de novos negócios são alguns dos benefícios

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Metrô Mobilidade

Foto de Vinícius Pimenta no Pexels

A abertura da comercialização de créditos, assim como o desbloqueio da gestão dos cartões de transporte público no Brasil, podem ter impactos significativos na experiência do usuário. Atualmente, o mercado de bilhetagem na maioria das cidades brasileiras é fechado – ou seja, todas as etapas – gestão, validação, pagamento, venda e desbloqueio de catracas são controladas por um único operador – e movimenta, em média, cerca de 46 bilhões de reais por ano, valor que pode aumentar ainda mais com a inclusão de outras iniciativas que cooperem na prestação destes serviços.

Apesar da maioria das cidades brasileiras ainda operarem com sistemas tradicionais, onde muitas vezes só é possível comprar créditos em bilheterias físicas, algumas regiões já estão se mobilizando para alterar este cenário. O Estado do Rio de Janeiro está em processo de estudo e avaliação da concessão atual. Em Porto Alegre, a migração da gestão da bilhetagem do operador de transportes para gestão pública já está acontecendo e, em São Paulo, a gestão fica a cargo de autoridades públicas e a comercialização de créditos é aberta a qualquer empresa interessada através de um credenciamento.

Segundo Luísa Peixoto, especialista em Políticas Públicas da Quicko, o sistema aberto de bilhetagem pode impulsionar a criação de novos projetos em mobilidade. “A única forma de promovermos a inovação da bilhetagem é através de sistemas abertos, que promovam a interoperabilidade entre serviços de transporte e a qualificação e ampliação do acesso através da concorrência entre canais de venda. Neste cenário, podemos ter a chance de implementar novos produtos de transporte que integrem o uso de bikes, e-hailing, carros compartilhados ao sistema de transporte público com tarifas otimizadas e mais vantajosas para os usuários, estratégia fundamental para tornar a mobilidade mais atraente e incentivar o não uso de carros particulares.”

Os benefícios socioeconômicos da bilhetagem aberta são diversos e podem gerar impactos significativos no setor, abrindo oportunidades para inserir o país na nova era da mobilidade. Confira cinco exemplos listados pela equipe da Quicko abaixo:

  1. Desonera operador e aumenta eficiência do serviço

Abrindo a comercialização de créditos e ampliando sua rede digital de vendas, o operador incentiva o aumento da venda digital, reduzindo gastos com a comercialização física, ATMs e bilheterias. Além de retirar o custo de manutenção de plataformas digitais de venda do operador, as plataformas de recarga terceirizadas também se responsabilizam pela transações, absorvendo os riscos de fraude e custos com atendimento ao cliente. por fim, a existência de diversas plataformas os riscos de falha nos sistema são minimizados, pois sempre haverá mais de uma plataforma para fazer a compra e recarga de crédito.

  1. Abre oportunidade para a criação de novos produtos e melhora a experiência do usuário

Aliando a bilhetagem aberta com a implementação de tecnologia nos processos, o setor privado vira uma espécie de catalisador da inovação no transporte público, proporcionando o surgimento de novos produtos que visam a oferecer uma melhor experiência e maior controle ao usuário, a exemplo da flexibilização das formas de pagamento, assinaturas de créditos mensais, passagens válidas para multimodais (públicos e privados), integrações metropolitanas, entre outros.

  1. Gera dados qualificados de bilhetagem

Com a união dos setores público e privado, há a possibilidade da inteligência de dados do setor avançar em complexidade e qualidade, tornando a gestão do transporte muito mais eficiente. Dessa forma, os recursos poderão ser melhor aproveitados e a experiência do usuário, que será colocado no centro do planejamento urbano, deve melhorar, considerando que os serviços serão entregues com mais qualidade e precisão, incentivando a mobilidade coletiva.

  1. Cria novas oportunidades de negócios, empregos e rendas

Com a descentralização da comercialização de créditos do transporte público, novas iniciativas que prestem serviços neste sentido terão a oportunidade de surgir, atuando com formatos e dinâmicas diversos e impulsionando a competição e qualificação do segmento. Com isso, também haverá a abertura de novas vagas de emprego e a consequente geração de renda.

  1. Possibilita que o setor privado exerça impactos significativos no transporte público

Para atingir a eficiência das cidades, é essencial que o poder público esteja atento às oportunidades que se desenvolvem em parceria com o setor privado. Dessa forma, ambos os setores podem trabalhar de forma integrada e complementar, abrindo espaço para que iniciativas privadas contribuam com ideias e projetos que têm potencial para transformar o segmento, melhorando a experiência para o usuário do transporte público, gerando novos produtos e serviços e contribuindo para o progresso da mobilidade urbana no país.

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