Projeto que prevê vias dedicadas a carros autônomos ganha simulação na Avenida Paulista

A partir de modelo criado pela consultoria Questtonó, pesquisadores do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo fizeram parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts para aperfeiçoar a implementação de um sistema de transição para a era dos carros autônomos

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Carros autônomos em projeto
Foto de Juliano Ferreira no Pexels

Em algumas décadas, os carros autônomos substituirão a maioria dos veículos atuais, o que trará grandes mudanças na paisagem e na organização dos sistemas de transporte das grandes metrópoles.

Focada neste período de transição, em que os carros autônomos e convencionais terão que compartilhar a infraestrutura urbana, a Questtonó, consultoria de inovação e design, vem trabalhando junto a um time de pesquisadores do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo em uma simulação com base em dados reais, que prevê uma implementação viável do projeto Digital Rails – desenvolvido pela consultoria em 2017 – na cidade de São Paulo.

Criado pela Questtonó, Digital Rails propõe uma solução de baixo custo para que a transição entre os dias atuais e a era dos carros autônomos seja viável.

A partir de uma malha de vias dedicadas a carros sem motoristas, orquestrada por um sistema digital distribuído, a plataforma virtual Digital Rails coordena semáforos inteligentes e veículos autônomos para garantir aos passageiros uma rota sempre verde, que nunca para.

O modelo foi inspirado no sistema circulatório do corpo humano e idealizado com base em três pilares: sistema aberto de dados, faixa exclusiva para veículos autônomos e formação de comboios.

Ao longo de 2018, foram realizadas simulações do projeto usando o InterSCity Simulator, um simulador em código-aberto desenvolvido no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo para pesquisas com cidades inteligentes.

Como funciona a simulação?

O estudo foi iniciado pela Avenida Paulista, onde um algoritmo determinou uma programação dos semáforos que possibilitaria aos carros autônomos viajarem sem paradas nos dois sentidos, na velocidade máxima permitida.

O mapa usado nas simulações é extraído do OpenStreetMap, enquanto outros dados, como a quantidade de carros que trafegam na Avenida Paulista por hora, foram obtidos a partir de relatórios publicados pela Companhia de Engenharia de Tráfego.

Os dados levantados permitem simular o impacto que a implantação de uma faixa de Digital Rails em cada sentido da Avenida Paulista traria ao tempo médio das viagens dos carros que percorrem a região. Após a modelagem matemática do sistema e simulações computacionais realizadas com o InterSCity Simulator, a pesquisa concluiu que:

  • Em média, o tempo para percorrer a Avenida Paulista de ponta a ponta com as Digital Rails será menos da metade do tempo atual.
  • Com 35% ou mais dos veículos usando as Digital Rails, o tempo médio de viagem para quem está fora do sistema também será reduzido.

Atualmente, o grupo trabalha para estender a área de simulação para a região do centro expandido de São Paulo, simulando as Digital Rails nas avenidas mais movimentadas da cidade.

A pesquisa inicial foi levada para pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que trabalharão em parceria para realizar simulações mais refinadas. Num futuro próximo, modelos mais detalhados de simulação poderão ser desenvolvidos, permitindo estudos mais sofisticados sobre o impacto real da implantação do projeto.

Saiba mais sobre o Digital Rails no site da Questtonó.

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