Linha 6-Laranja do Metrô: Obras paralisadas nos canteiros

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Da expectativa de estar ao lado de uma estação de metrô, o paulistano foi agora para o incômodo de conviver com imóveis vazios, tapumes, escombros de obras e vias interditadas por prazo indefinido. As áreas onde ficariam as 15 estações da Linha 6-Laranja, obras cuja paralisação foi confirmada pelo governo do Estado na segunda-feira, devido à dificuldade para obter financiamento, já estão sem seguranças e colecionam vizinhos insatisfeitos. As reportagens dos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo visitaram os canteiros de obras de algumas estações para conferir a situação atualmente.

Na região da futura Estação Perdizes, na esquina da Rua Apinajés com a Avenida Sumaré, na zona oeste, já ocorreram casos de pessoas jogarem entulho nos imóveis desocupados para as obras naquele trecho, não chegaram a ocorrer as demolições do terreno.

Em outro ponto da cidade, na região da futura Estação Pompeia, na esquina da Avenida Pompeia com a Rua Venâncio Aires, ocorreram ocupações por dependentes químicos para consumo de drogas.

Os imóveis desapropriados nas duas estações estão protegidos só com tapumes. Não foi possível ver nenhum segurança no interior dos locais vazios – uma oficina, um consultório dentário e um banco em Perdizes; e, na Pompeia, um posto de gasolina.

Nas futuras estações Freguesia do Ó e Brasilândia, ambas na zona norte, ninguém tomava conta dos materiais e equipamentos.

Nas ruas Professor Viveiros Raposo e Padre José Materni, dezenas de casas foram demolidas para dar lugar à futura Estação Brasilândia. Toda a área foi cercada com tapumes. Em um canto do terreno, existe um trator.

Além do temor dos mesmos problemas, lideranças comunitárias da Brasilândia, são os que mais reclamam.

FINANCIAMENTO

O consórcio Move São Paulo, responsável pela construção da linha 6-Laranja, alegou dificuldade para conseguir financiamento de longo prazo para concluir as obras, “condição indispensável à continuidade do projeto”.

Três empresas que integram o consórcio são investigadas pela Operação Lava Jato, sob acusação de pagar propina para políticos, o que pode afetar a capacidade de obter empréstimos.

Já foram investidos R$ 2,7 bilhões na linha. Ao menos 370 imóveis já foram desapropriados e demolidos para a construção.

A linha 6-Laranja vai ligar a estação São Joaquim, na região central, até a Vila Brasilândia. Quando estiver funcionando, a linha deve ser usada diariamente por mais de 600 mil pessoas.

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos do governo Alckmin disse que faz auditoria em todas as frentes de obras para preservar os locais. O consórcio será notificado se for confirmada a ausência de vigilante, diz a pasta.

O consórcio diz que “todas as áreas possuem vigilância adequada, que é feita de forma presencial ou por rondas”.

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