São Paulo tem 95% da frota de ônibus a diesel, apesar de lei exigir mudança

Toda cidade precisa escolher, de tempos em tempos, como montará sua frota de ônibus. Como num jogo de cartas “Super Trunfo”, não há opção perfeita. Os veículos mais baratos e fáceis de operar poluem mais e fazem muito barulho, enquanto os coletivos mais eficientes e limpos custam caro.

Para impedir que os empresários joguem sempre com as mesmas cartas, os governos criam normas para estimular (ou obrigar) mudanças na partida. São Paulo elaborou a sua em 2009: a lei 14.933 determina que até 2018 toda a frota de transporte público da cidade deverá operar apenas com combustíveis não fósseis.

“Acho dificil”, diz o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, sobre a chance de cumprir essa meta. “Hoje não tem produção em escala [de ônibus com combustíveis limpos], o custo é muito alto e quem paga é o poder público”. A lei 14.933 não estabelece punições em caso de descumprimento da meta.

A Secretaria Municipal de Transportes trabalha com o Ministério Público para criar uma cronograma de implantação de ônibus que poluem menos, mas ele ainda não está concluído. O encontro ocorreu após a Promotoria questionar o fato de a licitação que escolherá as empresas que farão a operação dos ônibus da capital não determinar o uso de veículos limpos.

“Poderíamos colocar todos os ônibus para rodar com biodiesel, adaptando os motores, mas teria um custo de R$ 2 bilhões a mais por ano. Para isso, ou aumenta o subsídio ou a tarifa”, diz Francisco Christovam, presidente do SPUrbanuss, sindicato das viações de São Paulo.

Apesar de gerar poluição e barulho, o ônibus a diesel puro responde por 95% da frota paulistana. Testes com fontes mais limpas são feitos desde os anos 1990, com opções como gás natural, etanol e motores híbridos, embora nenhum deles tenha sido adotado em larga escala.

O projeto municipal Ecofrota, iniciado em 2011 e que usa diesel misturado com até 10% de biodiesel, enfrentou problemas como desgaste dos motores dos ônibus e variação do preço do combustível, que sobe se há problemas na safra, por exemplo.

Além da poluição, os veículos a diesel apresentam maior desgaste. Eles duram em torno de dez anos, contra até 30 anos de um elétrico.

 

* Com informações do jornal Folha de São Paulo

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