Prefeito de capital verde europeia batalha para reduzir uso de carros

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Um tanque de guerra em direção à assembleia municipal de uma cidade de 442 mil habitantes, onde o prefeito se reúne com os vereadores.

O enredo parece ser de uma batalha, mas não é o caso. Ao menos não no sentido militar da palavra.

Quando George Ferguson, 68, prefeito de Bristol (cidade do sudoeste britânico), decidiu aplicar uma série de políticas para incentivar a redução do uso do carro, as críticas proliferaram.

O protesto mais marcante foi o do tanque, em 2014, uma declaração quase literal de guerra ao prefeito. A ideia veio de comerciantes que anteviam prejuízos devido às zonas de estacionamento restritas.

Em zonas residenciais, por exemplo, moradores são praticamente os únicos que têm direito a estacionar. Cada residência tem até três permissões de estacionamento, mas é necessário pagar uma taxa anual por cada uma delas, de acordo com os níveis de emissão de CO² de cada veículo.

A primeira permissão é grátis para os veículos com emissões muito baixas e pode chegar a £ 72 (R$ 432) para os mais poluentes. A segunda permissão tem o preço fixo de £ 96 (R$ 576) e a terceira custa £ 192 (R$ 1.152).

VISITANTES

As residências têm direito ainda a cem permissões de estacionamento por ano para visitantes -as 50 primeiras são grátis e as restantes custam £ 1 (R$ 6). Para estabelecimentos comerciais, há outros tipos de permissão, e o número de vagas para clientes pode chegar a sete.

“Tirar espaço para os carros estacionarem dá às pessoas mais motivos para compartilharem caronas ou virem de ônibus”, afirma Ferguson.

Entretanto, o arquiteto eleito em 2012 de maneira independente (sem partido) reconhece a importância do carro. “As pessoas em Copenhague [Dinamarca] guardam seus carros durante a semana e os usam no final de semana, para viajar com a família ou ir visitar a vovó. É sobre como usar o carro e não sobre ter carros.”

As outras políticas para reduzir o uso do carro lembram o que o paulistano tem vivenciado nos últimos anos.

Redução de velocidade nas vias, ampliação de ciclovias e faixas de ônibus, e fechamento de ruas para carros -ou abertura das ruas, como Ferguson prefere. “A linguagem da mudança é geralmente tão negativa. Ela deveria ser sobre começar e abrir coisas, não sobre fechar.”

CAPITAL VERDE

Essas políticas deram a Bristol o título de capital verde da Europa em 2015.

O prêmio é uma iniciativa da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, e é concedido anualmente a cidades que promovem ações inovadoras visando uma vida mais sustentável e agradável para sua população.

“Em vez de presumir que a resposta é infraestrutura, agora assumimos que a resposta são sistemas inteligentes”, afirma Ferguson. “Somos uma cidade de meio milhão de habitantes, uma vila se compararmos com São Paulo. Mas temos um bom tamanho para testar projetos.”

* Com informações do jornal Folha de São Paulo

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