Transporte público no Rio de Janeiro é mais barulhento que em São Paulo, aponta estudo

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Transporte público
Foto: Sunrise Musics

Os moradores do Rio de Janeiro sofrem mais que os de São Paulo o nível de ruído no transporte público, segundo uma pesquisa realizada pela associação de consumidores Proteste, em parceria com a Sociedade Brasileira de Otologia.

Na capital paulista, que lidera índices de congestionamentos no país, a média de ruído ficou em 76,7 decibéis, enquanto o Rio de Janeiro bateu os 80,4 decibéis.

O pior resultado de todo teste foi registrado em uma barca da linha Cocotá – Ilha do Governador. Como a porta da sala de máquinas estava aberta, o som no transporte atingiu 93,4 decibéis.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o som confortável ao ouvido humano deve ser de até 55 decibéis. A exposição a barulhos constantes acima de 85 decibéis pode causar danos irreversíveis à audição.

Barulho dos ônibus

A linha mais barulhenta da cidade do Rio de Janeiro encontrada pelos avaliadores é a 696, que faz o trajeto Praia do Dendê – Méier, que registrou 86,3 decibéis de barulho. Outras que registraram alto índice de ruído foram a linha 125 Central – General Osório, com 83,2 decibéis; e a 127, que faz o trajeto entre Rodoviária – Copacabana, com 81,9 decibéis.

As linhas de metrô de ambas as cidades também foram testadas. Mais uma vez, as do Rio foram consideradas mais barulhentas. A média de ruído foi de 80,5 decibéis. Em São Paulo, o índice foi a 77,2 decibéis.

O local mais barulhento registrado nas aferições foi em um trem da linha 1, na estação Central do Brasil, sentido Uruguai, onde os passageiros suportam 83,5.

Acima dos 80 decibéis também foram feitos registros em outro trem da linha 1, na estação Uruguai, no sentido General Osório e em uma composição da linha 2, na estação Vicente de Carvalho, no sentido Botafogo. Foram registrados, respectivamente, 82,3 e 80,4 decibéis.

Entre os trens de passageiros, o Rio de Janeiro registrou mais ruído mais uma vez. A média de barulho na cidade foi de 79,3 decibéis, contra 72,9 de São Paulo. Os dois maiores registros foram na estação Triagem, no ramal Belford Roxo, com 82,8 decibéis, e na estação Deodoro, na linha Deodoro, com 82,7 decibéis.

Metodologia

O estudo seguiu a metodologia de selecionar aleatoriamente linhas e trajetos diferentes de ônibus, trens e metrô nas duas cidades, de forma a cobrir toda a área das metrópoles.

O horário das medições também foi aleatório, mas evitando os horários de pico, de maneira que fosse possível avaliar ao máximo o ruído emitido pelo transporte, e não pelos passageiros. O barulho foi aferido com a ajuda de um decibelímetro digital, aparelho criado para esta utilidade.

Alterações na saúde

Para o médico Paulo Roberto Lazarini, a exposição a níveis altos de ruído faz com que o organismo pague um preço alto, muitas vezes não perceptível. “Níveis próximos a 85 decibéis podem causar desconfortos que não são mensuráveis. Podem causar estresse e alterar a frequência cardíaca, gerando transtornos na saúde da população. Além disso, os níveis estão próximos ao limite na maioria dos transportes analisados.”

O uso de fones de ouvido pode agravar o problema. “Há um uso cada vez mais frequente de smartphones e tocadores de música nos quais as pessoas usam fones de ouvido. E, com o alto índice de barulho externo, acabam aumentando o volume do aparelho. Com isso, o usuário pode atingir níveis que geram perdas auditivas. Se você está em um transporte com 82 decibéis, a pessoa tende a usar o equipamento em intensidade maior”, explica.

Estudo enviado a secretarias

A Proteste e a Sociedade Brasileira de Otologia encaminharam os resultados dos testes às secretarias municipais de transportes do Rio e de São Paulo. Os dados também foram encaminhados às comissões de Defesa do Consumidor, Desenvolvimento Urbano, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados.

As informações também foram enviadas para a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado.

Questionada sobre o resultado do teste, a Secretaria Municipal de Transportes afirma que desconhece a metodologia utilizada na pesquisa. No entanto, a Secretaria Municipal de Transportes conta que a cidade do Rio de Janeiro tem uma das frotas mais novas do país, com idade média de 4,5 anos, muito mais nova do que a frota do país, que tem média de 14,5 anos.

A Secretaria de Estado de Transportes informou que o nível do ruído do metrô no Rio de Janeiro está dentro dos padrões internacionais e abaixo do imite que ofereça danos à audição, como atesta a pesquisa.

Além disso, a secretaria afirma ainda que a frota do metrô está sendo renovada, com a compra de mais 15 trens que vão operara na linha 4 e a modernização dos 30 trens antigos que circulam nas linhas 1 e 2.

A RioÔnibus afirma que os modelos de ônibus utilizados atualmente na cidade do Rio de Janeiro são fabricados dentro do padrão de isolamento acústico e término determinados pelas autoridades.

O consórcio enfatizou que a frota de ônibus é uma das mais jovens do país e o sistema evoluiu para o BRT, que possui excelência nos padrões de redução de impactos ambientais.

A Viação Ideal, que opera a linha 696, considerada a mais barulhenta pelo estudo, afirma que coloca-se à disposição da Proteste e da Sociedade Brasileira de Otologia para receber informações sobre a metodologia da pesquisa e obter mais detalhes sobre as aferições.

A empresa afirma que a linha possui veículos com menos de três anos de uso e cada um dos veículos passam por duas vistorias anuais obrigatórias.

A Supervia, responsável pelos trens, afirma que as composições estão em processo de renovação, que deve ser concluído em 2016. Atualmente, circulam com 170 trens refrigerados que, por não necessitarem da abertura das janelas, são mais silenciosos.

A concessionária afirma que já trocou 137 quilômetros de trilhos e substituiu 161 mil dormentes de madeira, melhorando o tráfego para a circulação das composições e reduzindo o ruído.

O MetrôRio informou que o nível de ruído está dentro dos padrões normativos, conforme atesta a pesquisa. A concessionária também afirmou que trabalha constantemente para melhorar a experiência dos seus usuários. De acordo com a empresa, toda a frota antiga do MetrôRio está passando por processo de revisão.

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