A Linha 17-Ouro, na Zona Sul, foi anunciada como serviço que atenderá o bairro de Paraisópolis, vai atrasar mais dois anos e ficar para 2017. Na obra será dada prioriridade para construir no momento apenas 7,7 km dos cerca de 17,7 km que a linha terá no futuro. O valor da obra é avaliado em R$ 3,3 bilhões.
O Secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, afirmou que o trecho da Linha 17-Ouro que irá ligar o aeroporto de Congonhas até a estação Jabaquara da Linha 1-Azul do Metrô, e também até a futura estação São Paulo-Morumbi da Linha 4-Amarela do Metrô não será priorizado no momento. De imediato o monotrilho vai fazer o trecho entre o Aeroporto de Congonhas e a estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda da CPTM, junto à Marginal Pinheiros. O trecho tem vigas apenas em parte da Avenida Washington Luís e ao longo da Avenida Jornalista Roberto Marinho.
Em uma das pontas da linha que futuramente irá até a estação Jabaquara da Linha 1-Azul, há entraves para remanejar uma favela. Na outra ponta, até a futura estação São Paulo-Morumbi da Linha 4-Amarela, há impasses ambientais de um empreendimento do Panamby
Segundo a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, “a prioridade é concluir os trechos que já possuem obras avançadas antes de abrir novas frentes de trabalho”. Diz ainda que, nas
áreas que não serão atendidas agora, estão sendo equacionadas questões como ampliações viárias, reassentamentos e desapropriações.
Ficam de fora até segunda ordem as estações Panamby, Paraisópolis, Américo Mourano, Estádio do Morumbi, São Paulo-Morumbi, Jabaquara, Hospital Sabóia, Cidade Leonor, Vila Babilônia e Vila Paulista. Completa, a linha fará a ligação de quatro ramais, com até 252 mil usuários por dia.
Defendidos por gestões tucanas como solução rápida e barata para ampliar a rede de trilhos, os monotrilhos acumulam falhas, atrasos e encarecimento das obras.
A linha foi anunciada quando ainda se discutia o uso do Estádio do Morumbi para a Copa do Mundo de 2014. Ela chegou a ser prometida para 2013, mas só deve ficar pronta em 2017.
“A paralisação de uma obra deste tipo compromete a eficiência do projeto, acarreta aumento de custos. Na Linha 17-Ouro, esse trecho [priorizado] vai atender menos da metade dos passageiros previstos”, disse Emiliano Affonso, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô, ao jornal Folha de São Paulo.
Paraisópolis
A notícia de não priorizar as obras de quase metade das estações da linha 17 também provocou reação em Paraisópolis, bairro tema de novela da TV Globo e a segunda maior favela de SP, de acordo com uma reportagem feita pelo jornal Folha de São Paulo.
Gilson Rodrigues, presidente da Associação de Moradores de Paraisópolis, lembra de uma conversa recente com o próprio Alckmin. “Ele nos garantiu que, vencidos os problemas jurídicos, a obra avançaria. Tenho vídeo e foto do governador falando isso.”
“Estamos sendo isolados e sendo inibidos de outras oportunidades profissionais. Um morador da nossa região demora mais de três horas para ir e voltar ao centro todo dia. Esse tempo ele podia ficar com a sua família, frequentar um curso”, disse.
Em nota, o governo disse que “reafirma o que disse durante reunião com moradores da comunidade de Paraisópolis”. “O fato de o governo priorizar trechos que estão em obras não
significa excluir o ramal que irá atender os moradores de Paraisópolis.”
Ainda na nota, o governo diz que a implantação desse trecho do monotrilho, na zona sul, depende de obras da Prefeitura de SP – esta que nega atrasos.
Leia a seguir, a íntegra da nota do governo de SP:
“O governador Geraldo Alckmin reafirma o que disse durante reunião com moradores da comunidade de Paraisópolis. As obras do monotrilho da linha 17-ouro (Morumbi – Aeroporto – Jabaquara) foram planejadas para serem construídas em três etapas. Neste momento, a construção do primeiro trecho segue em pleno curso com mais de 1.200 trabalhadores atuando nos canteiros. O fato do governo priorizar trechos que estão em obras não significa excluir o ramal que irá atender os moradores de Paraisópolis.
O próximo trecho terá 6,4 km e contará com cinco estações (Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano, Estádio do Morumbi e São Paulo-Morumbi). Nesse trecho, já foi concluído o projeto executivo para as obras civis, que envolvem a construção dos pilares, capitéis e vigas por onde trafegará o monotrilho. O Metrô também já publicou Decreto de Utilidade Pública (DUP) para a desapropriação de 51 imóveis necessários para as obras dessas cinco estações. A própria Folha de S. Paulo publicou matéria sobre o processo de desapropriação.
Mais de 76% dos imóveis já foram desapropriados. Além disso, a Companhia já obteve a Licença Ambiental de Instalação (LAI) entre as estações Morumbi e Panamby e já deu andamento para requerer a LAI de Paraisópolis até São Paulo-Morumbi. A implantação desse segundo trecho depende principalmente da construção da avenida Perimetral (prolongamento da Av. Hebe Camargo), de responsabilidade da prefeitura, para que o Metrô instale os pilares do monotrilho, além do desfecho de ações judiciais que estão em curso, envolvendo desapropriações na região do Panamby.”
Nota da Secretaria de Transportes Metropolitanos:
“A Secretaria dos Transportes Metropolitanos informa que, sobre os projetos dos monotrilhos das linhas 15- Prata e 17-Ouro, a prioridade é concluir os trechos que já possuem obras avançadas antes de abrir novas frentes de trabalho. Os trechos prioritários são a ligação do Aeroporto de Congonhas até o Morumbi (integração com a Linha 9-Esmeralda da CPTM) na Linha 17-Ouro e Vila Prudente a Iguatemi na Linha 15-Prata. Nos demais trechos, estão sendo equacionadas as questões referentes às ampliações viárias com a Prefeitura de São Paulo, levantamento de reassentamentos e desapropriações necessárias para o prosseguimento das obras, licenciamentos ambientais e novas fontes de financiamento.”
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