Operação da Linha 5-Lilás do Metrô será concedida à iniciativa privada

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), informou na manhã desta terça-feira, 21, que o governo fará o chamamento para o leilão de concessão da operação da Linha 5-Lilás. O ramal tem um trecho operado hoje pelo Metrô, que liga a região do Capão Redondo à Estação Adolfo Pinheiro, em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista. Há também um trecho em construção, segundo o governador, “rigorosamente no prazo”, que ligará a linha à malha metroferroviária nas estações Santa Cruz, da Linha 1-Azul, e Chácara Klabin, da Linha 2-Verde.

“Estamos abrindo o edital de concessão e a empresa que ganhar vai operar toda a Linha 5-Lilás, inclusive a parte já concluída e em operação. Toda a Linha 5 será privada”, afirmou o governador, ao se dizer “otimista” com o efeito da medida sobre emprego e melhoria na logística.

A Linha 5 é a única na capital que não tem ligação com as demais linhas do Metrô, apenas com a Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A entrega do trecho de conexão tem previsão de ser concluída até 2018.

O secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, disse que uma das possibilidades seria exigir como contrapartida da iniciativa privada a construção de uma extensão da linha na outra ponta, em direção à zona sul, do Capão Redondo até o Jardim Ângela, mas que isso ainda não está definido – nem sequer existe projeto para esse possível trecho.

O governador preferiu não falar em detalhes e disse que as possibilidades estão em aberto. “Vamos verificar qual a melhor modelagem disso. Nós podemos fazer a concessão por mais investimento, em que ganha quem oferecer mais investimento, ou onerosa, em que ganha quem paga mais para o governo.”

Tecnologia

Alckmin anunciou a concessão como a primeira que será leiloada através de uma plataforma digital lançada nesta terça-feira pelo governo estadual, por meio de um memorando de entendimento assinado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O objetivo da plataforma, segundo o governo, é dar transparência e agilidade para a realização de concessões e de parcerias público-privadas (PPPs). Apesar de ter anunciado o edital para conceder a operação da Linha 5, Alckmin não falou em datas ou de um prazo para se definir o modelo do edital.

Questionado, o governador disse que a cessão para iniciativa privada das linhas de monotrilho em construção – Linhas 17-Ouro e 15-Prata – também está em estudo pelo governo.

Atualmente, a Linha 4-Amarela do Metrô é operada pela iniciativa privada, através da empresa ViaQuatro. A Linha 6-Laranja está em construção por meio de Parceria Público Privada (PPP), através da empresa Move São Paulo. As obras começaram em abril de 2015, com mais um ano de atraso.

Atrasos

As obras de 11 novas estações para a expansão da Linha 5-Lilás estão atrasadas. Um texto publicado na página na internet do Metrô em 27 de dezembro de 2012 dizia que a ampliação deveria ficar pronta ainda esse ano. O custo total da obra será de R$ 9,1 bilhões.

O prolongamento tem 11 km de extensão e começa na estação Largo Treze, em Santo Amaro, e vai até a Chácara Klabin, na Linha 2-Verde. Mas, durante uma visita ao canteiro de obras no começo de maio, o governador disse que as todas obras serão concluídas apenas em março de 2018.

Na ocasião, o governador afirmou desapropriações e questões ambientais foram superadas e que as obras aconteciam normalmente. “Esperamos entregar Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin no primeiro semestre de 2017. Depois mais seis estações no segundo semestre e uma estação em 2018, que é a estação de Campo Belo, que ali tem uma grande interferência”, disse Alckmin.

Em outras oportunidades, Alckmin citou como motivo da demora o fato de a obra ter ficado suspensa pela Justiça por 15 meses por uma decisão judicial que apontava indícios de corrupção na escolha da construtora. Em outubro de 2010, reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” afirmava que conhecia os vencedores da licitação para a construção da linha antes dela ser concluída.

* Com informações do jornal O Estado de São Paulo e do portal G1

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