Morar perto dos trilhos ganhou peso na escolha do imóvel em São Paulo, em um cenário em que tempo de deslocamento, acesso ao transporte público e rotina prática passaram a influenciar a decisão de compra ou aluguel. Pesquisas citadas no material mostram que a busca por reduzir o trajeto até o trabalho já afeta a preferência de muitos brasileiros, especialmente entre os mais jovens.
Uma pesquisa encomendada pela Serasa Experian aponta que 78,1% dos profissionais brasileiros já consideraram ou tomaram alguma medida para diminuir o tempo gasto no caminho até o trabalho. Entre eles, 21,3% cogitaram morar mais perto da empresa e 20,5% pensaram em mudar de emprego pelo mesmo motivo.
O levantamento também mostra que 43,3% dos entrevistados preferem um emprego próximo de casa, enquanto 25,8% valorizam locais com fácil acesso por transporte público. No Sudeste, 15,9% afirmaram gastar de uma a duas horas apenas para chegar ao trabalho.
Outro estudo da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, ajuda a explicar quem pode sustentar essa demanda. Entre integrantes da Geração Z que moram sozinhos, 62,6% ainda vivem de aluguel. Nesse grupo, o transporte público aparece como meio de locomoção mais citado, por 26%, à frente das motocicletas, mencionadas por 23%.
Além disso, a pesquisa mostra pressão financeira sobre esse público. Para 45% das pessoas que vivem sozinhas, administrar os próprios gastos é difícil ou muito difícil. Outros 64% perceberam aumento do custo de vida no último ano. Moradia aparece entre as três prioridades de pagamento, ao lado de contas recorrentes e supermercado.
Mobilidade orienta novos projetos residenciais
A mudança de comportamento já repercute no mercado imobiliário. A Longitude Incorporadora desenvolve três empreendimentos ligados à mobilidade urbana e à proximidade da rede sobre trilhos em diferentes regiões de São Paulo.
Na Zona Norte, o Longitude Estação Tucuruvi terá dois acessos, sendo um pela Rua Purus, a três minutos de bicicleta da Estação Tucuruvi do Metrô. O projeto contará com 508 apartamentos, entre estúdios e unidades de um ou dois dormitórios, além de espaços compartilhados.
Também na Zona Norte, o Longitude Estação Freguesia será construído na Rua Professor João Machado, próximo às estações Piqueri e Pirituba, da CPTM, e à futura Estação Freguesia do Ó. O empreendimento terá 509 unidades, com estúdios, apartamentos de um dormitório com espaço para escritório e opções de dois dormitórios.
Na Zona Leste, o Longitude Estação Dom Bosco ficará na Rua Dona Maria de Camargo, em Itaquera, a poucos passos da Estação Dom Bosco, da CPTM. O projeto terá 325 unidades em uma torre, com estúdios e apartamentos de um dormitório com cômodo adicional e adaptável a diferentes usos.
“Os três projetos partem da leitura de que o consumidor quer uma moradia compatível com o orçamento, mas não abre mão de conexão com a cidade. Por isso, a escolha do terreno considera a proximidade com metrô ou trem, comércio e serviços já existentes, além de plantas funcionais para diferentes momentos de vida”, avalia Rodrigo Menderico, vice-presidente comercial da Longitude Incorporadora.
São Paulo ainda concentra milhões de deslocamentos por dia
A Pesquisa Origem e Destino do Metrô de São Paulo dimensiona o desafio da mobilidade na capital. O levantamento registrou 21,07 milhões de deslocamentos diários no município. Segundo análise da Prefeitura, ônibus, metrô e trem respondem por 31,7% dos deslocamentos na cidade.
O estudo, realizado com 79 mil pessoas, é considerado o maior levantamento de mobilidade urbana da América Latina. Para Menderico, a localização deixou de ser apenas um detalhe e passou a integrar a qualidade de vida.
“Em uma cidade das dimensões de São Paulo, o deslocamento não é um detalhe da rotina: ele interfere no tempo disponível para a família, no descanso, nos estudos e no lazer. Quando um empreendimento nasce conectado à rede sobre trilhos e aos serviços do bairro, a localização passa a funcionar como parte da qualidade de vida”, conclui.