A mobilidade sustentável avança e pressiona a indústria automotiva a adaptar processos, investir em planejamento e transformar metas ambientais em ações concretas. De acordo com uma pesquisa do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), 79% das empresas do setor já contam com planos relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mas apenas 19% possuem orçamento específico para essas iniciativas.
O cenário reforça a distância entre o compromisso formal com a agenda da ONU e a execução prática nas empresas. No artigo assinado por Erick Rodrigues, Coordenador de Qualidade e Meio Ambiente da FUCHS, o autor destaca que a indústria automotiva ainda enfrenta gargalos para implementar uma agenda mais sustentável e responsável, especialmente quando comparada a outros países.
Desafios da indústria automotiva para transformar metas em prática
Segundo o texto, a transição para modelos de transporte mais sustentáveis já influencia o mercado brasileiro e global. Em setembro de 2026, o Brasil atingiu a marca de 1 milhão de veículos leves eletrificados emplacados desde 2012, conforme a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE). No mesmo período, um relatório da Ember apontou que as vendas globais de carros elétricos cresceram 11% entre março e agosto de 2026, na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior.
Apesar desse avanço, a indústria ainda precisa rever operações, desenvolvimento de produtos, gestão de recursos e relacionamento com fornecedores. O artigo afirma que os ODS oferecem direcionamento estratégico para conciliar competitividade e resultados socioambientais, mas ressalta a falta de conhecimento aplicado sobre esses objetivos como um dos principais obstáculos.
Embora gestores e colaboradores conheçam os ODS em termos conceituais, ainda existe dificuldade para conectá-los aos processos, indicadores e decisões do dia a dia. Com isso, a sustentabilidade corre o risco de ficar limitada a relatórios e iniciativas isoladas, sem influenciar a gestão do negócio como um todo.
Outro ponto crítico é a distribuição de recursos. O texto destaca que a existência de orçamento específico ajuda a viabilizar ações ambientais, mas defende que o compromisso precisa alcançar diferentes áreas e projetos. Dessa forma, as empresas reduzem a dependência de investimentos isolados e diminuem a vulnerabilidade a restrições econômicas.
O papel dos lubrificantes na eficiência e na redução de emissões
Erick Rodrigues também chama atenção para a contribuição da indústria de lubrificantes nesse processo. Segundo o artigo, esses produtos ajudam a reduzir atrito, otimizar sistemas veiculares, preservar motores e peças e favorecer o uso eficiente de recursos ao longo da vida útil dos veículos.
Mesmo nos carros elétricos, o uso de lubrificantes continua necessário. O texto informa que eles protegem engrenagens, rolamentos e outros componentes móveis, além de reduzir desgaste e apoiar a eficiência energética e a durabilidade dos veículos eletrificados.
Além disso, a manutenção preventiva aparece como aliada da sustentabilidade. Inspeções periódicas, monitoramento das condições dos lubrificantes e respeito aos intervalos de troca recomendados ajudam a identificar desgastes precocemente, evitar falhas, prolongar a vida útil dos componentes e reduzir vazamentos e resíduos.
O artigo também observa que a pegada de carbono dos lubrificantes exige atenção. Para reduzir impactos, as empresas devem adotar fontes renováveis de energia certificadas, substituir matérias-primas convencionais por alternativas de menor impacto e ampliar o uso de materiais reciclados, de origem renovável ou biodegradáveis.
Por fim, o texto destaca a importância da destinação adequada dos óleos usados, já que o descarte incorreto pode contaminar o solo e os recursos hídricos. Para avançar, o setor precisa ampliar os sistemas de coleta e conscientizar empresas e consumidores sobre a importância da destinação correta.
O artigo conclui que o caminho para uma indústria automotiva mais sustentável no Brasil traz desafios, mas também oportunidades para inovar, aumentar a eficiência operacional, reduzir desperdícios e fortalecer a competitividade. Assim, as lideranças precisam transformar compromissos ambientais em ações concretas e mensuráveis.