Transporte Rodoviário de Cargas prepara agenda para 2027 com foco em crédito, infraestrutura e previsibilidade

O Transporte Rodoviário de Cargas chega ao ciclo de 2027 pressionado por custos elevados, dificuldade de acesso ao crédito, desafios de infraestrutura e insegurança regulatória. Independentemente do resultado das eleições presidenciais de 2026, lideranças do setor avaliam que o próximo governo terá de enfrentar pautas estruturais para sustentar a competitividade das transportadoras.

Os números reforçam esse cenário. Levantamento da NTC&Logística, apresentado durante o CONET&Intersindical em agosto, mostrou defasagem média de 10,5% entre os valores de frete praticados e os custos efetivos das operações no primeiro semestre de 2026. No mesmo período, os combustíveis acumularam alta de 17,63%, enquanto os custos com mão de obra subiram 5%.

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  • Crédito, custos e infraestrutura no centro do debate

    Para Danilo Guedes, CEO da ABC Cargas, o planejamento para 2027 precisa considerar a realidade empresarial do setor, que exige decisões de longo prazo. Segundo ele, investimentos em frota, contratação, tecnologia e expansão dependem de previsibilidade econômica.

    “Quem administra uma transportadora toma decisões que não terminam no ano seguinte. Quando adquirimos veículos, contratamos pessoas, investimos em tecnologia ou ampliamos uma operação, estamos olhando anos à frente. Por isso, independentemente de quem esteja à frente do país, precisamos de previsibilidade para decidir e investir”, avalia.

    O ambiente econômico também pesa nesse cenário. De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores e acumulou crescimento de 1,9% no primeiro semestre. Ainda assim, mesmo com a redução da Selic para 14% ao ano pelo Banco Central em agosto, o custo do crédito segue alto para um setor que depende de financiamento para renovar a frota e ampliar operações.

    A infraestrutura aparece como outro ponto central. Segundo a ANTT, a carteira de concessões rodoviárias federais soma R$ 525 bilhões em investimentos previstos, operação, manutenção das vias e serviços aos usuários, abrangendo cerca de 18,1 mil quilômetros de rodovias.

    “Uma rodovia melhor significa redução de custos, menor desgaste dos veículos, mais segurança para os motoristas e maior eficiência logística. São investimentos cujos resultados ultrapassam qualquer mandato e impactam diretamente a economia brasileira”, afirma Danilo.

    Transporte Rodoviário de Cargas e a Reforma Tributária

    Além dos desafios econômicos e operacionais, o setor também acompanha a transição da Reforma Tributária do Consumo. Após a fase inicial em 2026, 2027 deve trazer novas etapas de implementação da CBS e do IBS, com efeitos sobre sistemas, formação de preços, créditos tributários e gestão das empresas.

    Antonio Luiz Leite, vice-presidente da NTC&Logística, diretor-presidente da PRIMAX e diretor político da FETCESP, defende estabilidade regulatória e previsibilidade como condições essenciais para que o transporte continue investindo e se modernizando.

    “O transporte consegue se adaptar aos diferentes ciclos da economia. O que precisamos é de um ambiente em que o empresário consiga saber quais regras estarão valendo amanhã. Infraestrutura, segurança jurídica, crédito e competitividade são questões estruturais para o desenvolvimento do país”, destaca.

    Antonio também vê o período eleitoral como uma oportunidade para ampliar o diálogo do setor com as futuras lideranças governamentais e transformar temas como infraestrutura, modernização, competitividade e ambiente regulatório em agendas permanentes.

    “Governos começam e terminam, mas a necessidade de transportar o Brasil permanece. Precisamos avançar em questões estruturais e construir uma logística mais eficiente, segura e competitiva. Esse deve ser o ponto de convergência, independentemente do resultado eleitoral”, conclui.

    Com atuação no Brasil e em outros países da América do Sul, a ABC Cargas afirma que também observa os reflexos do cenário internacional sobre câmbio, combustíveis, comércio exterior e custos operacionais. Para Danilo Guedes, a logística precisa integrar a estratégia econômica do país.

    “O transporte não está isolado da economia. Se a indústria cresce, transportamos mais. Se o agronegócio avança, existe demanda logística. Se o comércio exterior se fortalece, precisamos de infraestrutura para fazer essa carga circular. Uma política para o transporte é, na prática, uma política para o desenvolvimento econômico”, destaca.

    Além de Danilo, a manifestação apresentada no material também traz a trajetória institucional de Antonio Luiz Leite, que atua na representatividade sindical empresarial desde a década de 1990 e participa da defesa do transporte de cargas em âmbito estadual e nacional.

    O setor, portanto, entra no debate de 2027 com uma pauta clara: crédito mais acessível, infraestrutura mais eficiente, segurança jurídica, previsibilidade regulatória e condições para sustentar investimentos, produtividade e competitividade.

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