O motociclista brasileiro entrou em uma nova fase, impulsionado pelo recorde de vendas, pela presença crescente das mulheres e pela ampliação do uso das motos para além do trabalho e do deslocamento diário. Em 2025, o Brasil registrou 2,19 milhões de motocicletas emplacadas, segundo a Fenabrave, em um cenário que também revela maior diversidade de perfis e finalidades de uso.
De acordo com a entidade, o resultado representou alta superior a 17% em relação ao ano anterior e marcou um recorde histórico. Para 2026, a projeção aponta avanço de 8,6% no mercado total e de 10% no segmento de motocicletas, com estimativa de 2.416.980 unidades emplacadas.
“Por trás desse crescimento existe um consumidor menos homogêneo. A moto continua sendo uma importante ferramenta para quem precisa economizar tempo e dinheiro nos deslocamentos, mas passou a atender necessidades que vão além da rotina casa-trabalho”, explica Wendel Lazko, gerente geral de negócios da Shineray do Brasil.
Mulheres e jovens ampliam o mercado de motociclista brasileiro
O novo cenário também inclui mais jovens e mais mulheres nas duas rodas. Para muitos consumidores, a motocicleta segue como uma alternativa de mobilidade por reunir custo de aquisição, manutenção e combustível relativamente acessíveis, além de agilidade no trânsito. Nesse grupo, também aparecem profissionais que usam o veículo como ferramenta de trabalho, como entregadores e motoristas de aplicativo.
Entre os jovens que compram a primeira motocicleta, fatores como preço, facilidade de condução, tecnologia, conectividade, design e custo de manutenção influenciam a escolha. Já entre as mulheres, a expansão chama atenção pelos números: dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que o número de habilitadas na categoria A passou de 6 milhões, em 2015, para mais de 10 milhões, em 2025, crescimento de 65,8% em uma década.
Esse avanço amplia o debate sobre o perfil de quem usa motocicletas no país e reforça a necessidade de considerar diferentes demandas de mobilidade, sem restringir o veículo a uma única função.
Motos ganham espaço no lazer, nas viagens e na decisão de compra
A diversificação também alcança o lazer e as viagens. Para parte dos consumidores, pilotar deixou de ser apenas uma necessidade e passou a integrar o tempo livre, seja em passeios, roteiros ou viagens que valorizam o percurso.
Os dados de produção reforçam essa tendência. Entre janeiro e maio de 2026, a produção de motocicletas de alta cilindrada cresceu mais de 40% na comparação com o mesmo período de 2025. Esses modelos atendem, entre outros públicos, consumidores interessados em lazer e viagens.
Com isso, as fabricantes precisam lidar com prioridades distintas. Enquanto alguns consumidores priorizam economia e praticidade, outros valorizam conforto, desempenho, tecnologia e recursos voltados a trajetos mais longos.
“Já não basta pensar em cilindrada, potência ou preço. Diferentes perfis procuram soluções diferentes, e fatores como economia, segurança, conforto, tecnologia, manutenção e finalidade de uso passam a pesar de maneiras distintas na decisão de compra”, pontua Lazko.
Para o executivo da Shineray, acompanhar essa transformação significa reconhecer que não existe um único perfil de motociclista. “A motocicleta continua sendo uma ferramenta de trabalho e uma alternativa de mobilidade, mas também ganha espaço como escolha de independência, lazer e estilo de vida”.