A alta do dólar está levando proprietários de aeronaves a rever a estratégia de mobilidade aérea para 2027, segundo a Solojet Aviação. Com custos de manutenção, treinamentos, seguros e outros itens da operação atrelados à moeda americana, a empresa afirma que avaliar a frequência de uso passou a ser essencial para definir se a propriedade continua sendo a melhor opção ou se alternativas como compartilhamento e táxi aéreo atendem melhor à demanda.
Além disso, a companhia destaca que a venda de aeronaves no Brasil pode se tornar uma oportunidade para capitalizar em reais em um cenário de dólar mais alto. A análise também ganha peso diante de incertezas sobre a incidência de IPVA e benefícios fiscais sobre o setor.
Como a alta do dólar redefine a estratégia de mobilidade aérea
De acordo com a Solojet Shares, o primeiro passo é medir quantas horas a aeronave voa ao longo do ano e qual é a necessidade real de deslocamento. Para quem voa até 40 horas anuais, o táxi aéreo pode ser mais adequado. Já para uma demanda em torno de 100 horas por ano, a aquisição de uma cota de aeronave deve entrar na avaliação, por garantir disponibilidade e acesso a custos operacionais semelhantes aos de um proprietário exclusivo. Acima desse patamar, a propriedade própria volta a ser considerada, conforme o perfil de uso.
“A aeronave própria oferece autonomia e disponibilidade, mas também exige uma estrutura de custos que precisa ser compatível com a frequência de uso. Em um cenário de dólar mais alto e por consequência os custos fixos, esse planejamento ganha ainda mais importância, porque despesas como a manutenção, treinamento e seguros são influenciadas pela moeda americana, mesmo quando o avião está parado”, afirma André Bernstein, CEO da Solojet Shares.
Segundo a empresa, uma aeronave que voa pouco continua gerando despesas com hangaragem, manutenção e outros compromissos necessários para mantê-la em condições de operação. Por isso, a decisão de vender pode fazer parte de uma revisão mais ampla da estratégia de mobilidade, com a escolha de uma alternativa ajustada às viagens previstas para o ano seguinte.
Venda, compartilhamento e táxi aéreo ganham espaço
A Solojet Shares informa que oferece avaliação gratuita da aeronave em até 48 horas. Com presença no Brasil e nos Estados Unidos, a empresa também leva a aeronave a compradores no mercado americano, ampliando as possibilidades de venda.
Durante o processo, a aeronave pode permanecer no hangar da Solojet Aviação, em Jundiaí (SP), onde a empresa também mantém oficina própria. A proposta é preservar as condições de voo e de comercialização enquanto o ativo segue disponível ao mercado.
Para o proprietário que optar pela migração ao compartilhamento, a companhia diz que também pode converter o valor da hangaragem ou da comissão de venda em desconto na aquisição da cota. “Nem sempre é necessário abrir mão da aviação executiva para reduzir despesas. Ao trocar a aeronave própria por uma cota ou utilizar o táxi aéreo em viagens pontuais, o cliente pode continuar contando com a agilidade do transporte aéreo e ajustar seus custos à demanda”, diz Bernstein.
Outra alternativa citada pela empresa é integrar a aeronave própria à operação de táxi aéreo da Solojet Shares. Nesse modelo, o avião pode ser usado em voos comerciais nos períodos em que ficaria parado, gerando receita para ajudar a cobrir custos de propriedade e operação.
A Solojet Aviação afirma que já atua no segmento de táxi aéreo e prevê triplicar sua frota nessa atividade até o fim de 2026, com a entrada de novas aeronaves. A empresa também destaca que a Reforma Tributária abriu caminho para a cobrança de IPVA sobre aeronaves, com expectativa de implementação a partir de 2027, enquanto aeronaves operadas sob uma operação certificada pela ANAC, como táxi aéreo, permanecem isentas.
“A decisão depende do perfil de cada proprietário. Para alguns, faz sentido vender e adotar outra modalidade. Para outros, manter a aeronave e agregá-la no táxi aéreo pode ser uma forma de aproveitar melhor o ativo. O importante é fazer as contas e planejar a operação de acordo com a necessidade real de cada cliente”, afirma o executivo.
A Solojet Aviação atua com compartilhamento de aeronaves, compra e venda, gerenciamento, manutenção, pintura, revitalização de interiores e táxi aéreo. A empresa tem três hangares no Aeroporto de Jundiaí (SP), um hangar em Luís Eduardo Magalhães (BA) e um escritório na Flórida, nos Estados Unidos.