O catalisador automotivo pode seguir para a reciclagem após o fim de sua vida útil e voltar à cadeia produtiva por meio da recuperação de metais nobres, segundo a Umicore. O processo reduz a necessidade de novas matérias-primas e reforça a economia circular no setor automotivo.
Como funciona a reciclagem de metais nobres
Presente no sistema de exaustão de veículos a combustão e híbridos, o catalisador transforma gases poluentes em substâncias menos nocivas antes da liberação na atmosfera. Quando o componente deixa de operar, ele ainda mantém valor econômico porque contém metais nobres em seu substrato interno, como platina, paládio e ródio.
De acordo com a empresa, o processo começa com a amostragem, etapa realizada na planta de Americana (SP), onde chegam resíduos contendo metais estratégicos de diferentes origens, como sucatas de catalisadores automotivos, catalisadores químicos e industriais, sucata eletrônica, resíduos de joalheria e resíduos de mineração. Em seguida, a equipe homogeneiza o material, retira uma amostra e a encaminha para análise laboratorial.
Depois dessa etapa no Brasil, o material segue para a unidade da Umicore em Hoboken, na Bélgica. Lá, a empresa aplica processos pirometalúrgicos para recuperar os metais e refiná-los para novo uso em diferentes aplicações.
Destinação correta fortalece a rastreabilidade
A companhia afirma que a destinação adequada do material deve ocorrer por canais oficiais, para garantir rastreabilidade, segurança e conformidade ambiental. Além disso, a empresa alerta que o encaminhamento incorreto pode estimular o mercado informal, prejudicar a valorização do material e comprometer sua reciclagem.
Para pequenos volumes, a Umicore orienta parceiros homologados. O material deve ficar armazenado em local coberto, pode ser acondicionado em tambores metálicos e precisa seguir acompanhado de Nota Fiscal. Apenas empresas cadastradas e aprovadas no processo de compliance podem fazer entregas.
Segundo Gabriel Cruz, gerente comercial da Umicore, “o catalisador automotivo é um exemplo claro de como a economia circular pode transformar um material que chegou ao fim de sua vida útil em uma nova fonte de recursos. Para que esse ciclo aconteça de forma adequada, porém, é fundamental que os catalisadores sejam destinados por canais oficiais, que garantam rastreabilidade, segurança e conformidade ambiental em todas as etapas do processo”.
“A reciclagem sustentável só se completa quando existe controle sobre toda a cadeia, desde o recebimento do material até o retorno dos metais à economia. Por isso, a destinação por canais oficiais é fundamental para garantir rastreabilidade e conformidade ambiental”, conclui o executivo.
Globalmente, a Umicore informa que 65% das matérias-primas processadas pela empresa são materiais secundários. Em sua unidade global de reciclagem de metais, a companhia processa mais de 400 mil toneladas por ano, vindas de mais de 200 tipos de materiais, e recupera 17 metais diferentes.