A Gestran apresentou um agente de IA que responde, em linguagem natural, perguntas sobre a frota e promete reduzir o tempo entre consulta e decisão na gestão de veículos. A solução, chamada Gi, integra a plataforma Gestran Frota e permite que o gestor faça perguntas como faria com alguém da equipe, sem comandos específicos ou busca em menus e relatórios.
Entre as consultas possíveis estão questões sobre veículos com maior custo, quilometragem, número de ordens de serviço e gastos com peças. Além disso, a ferramenta pode apresentar as respostas em texto, gráficos ou exportação para Excel e CSV, conforme a necessidade de análise.
Como a IA muda o acesso aos dados da frota
Segundo Paulo Raymundi, CEO da Gestran, o principal desafio está em transformar o volume diário de dados em respostas úteis. “Uma empresa registra diariamente abastecimentos, despesas, manutenções, pneus, checklists, documentos, compras e informações sobre os veículos. O ponto é conseguir transformar esse volume de dados em respostas úteis, sem que cada dúvida exija uma nova análise manual”, afirma.
Na prática, o gestor pode começar com uma pergunta simples e aprofundar a análise conforme surgem novas informações. Assim, se identificar os veículos com maior gasto de combustível, ele pode avançar para o custo por quilômetro, comparar períodos e investigar unidades fora do padrão.
Raymundi afirma que a mudança não está na coleta de dados, e sim na velocidade entre a pergunta e a resposta confiável. “A tecnologia sempre foi muito boa em registrar o que aconteceu. O que muda agora é a possibilidade de colocar esse histórico para trabalhar durante a tomada de decisão. O gestor não precisa esperar o fechamento do mês para descobrir que alguma coisa saiu do padrão. Ele pode investigar a situação enquanto ela está acontecendo e decidir se precisa agir”, diz.
Uso da IA ainda é baixo no setor de transportes
A adoção desse tipo de recurso ainda é limitada. Segundo Raphael Aguiar, sócio e diretor da Gestran, apenas 15% das empresas do setor atingem o objetivo de gestão de frota. Ele afirmou durante o evento Frotas Conectadas, realizado em agosto de 2026, que controle, custos e segurança estão entre as principais demandas dos clientes.
No Brasil, uma pesquisa da Live University/Inbrasc mostra que 88% das empresas já usam IA generativa, mas apenas 14% estão em estágio avançado no uso de agentes de IA para análises e previsões. Fora do país, pesquisa da PwC indica que 83% dos líderes de operações e supply chain acreditam que agentes de IA e automação podem ajudar a conectar diferentes áreas da operação, embora só 27% tenham uma estratégia totalmente integrada.
O levantamento também mostra que a qualidade das informações limita os resultados das iniciativas digitais para 87% dos entrevistados, enquanto apenas 37% se sentem confortáveis em delegar processos inteiros a agentes de IA.
As novas regras da ANTT também ampliaram o volume de informações sobre as operações. Desde maio de 2026, o CIOT passou a ser obrigatório no transporte rodoviário remunerado de cargas, reunindo dados como contratante, transportador e veículo.
“Com mais informações registradas sobre as operações, o gestor também precisa conseguir consultar esses dados com facilidade. A Gi ajuda nessa etapa, trazendo as informações solicitadas sem alterar os registros do sistema ou executar alguma ação”, conta o CEO da Gestran.
Ele destaca que a ferramenta não executa decisões nem altera registros. “A IA entra para encurtar esse caminho. Ela não conhece a operação melhor do que quem está nela todos os dias, mas pode ajudar esse profissional a chegar mais rápido ao ponto que precisa avaliar”, conclui.
Sobre a Gestran, mais informações estão disponíveis em https://www.gestran.com.br/.