Outubro Rosa também abre espaço para olhar para a segurança no carro, já que a manutenção do sistema de ventilação pode influenciar diretamente o bem-estar e a atenção de quem dirige. Estudos recentes chamam atenção para a conservação dos filtros de cabine, componente que ajuda a reter poeira, pólen e outras partículas que entram no veículo pelo sistema de ar.
Filtro de cabine: qualidade do ar e atenção ao dirigir
Um estudo publicado em 2026 no Journal of Hazardous Materials analisou filtros de cabine e observou que o acúmulo de determinados resíduos vegetais favoreceu em mais de 40% a sobrevivência das bactérias Escherichia coli e Staphylococcus aureus. Segundo o material, o achado reforça a importância de manter esse componente em boas condições.
Além disso, a manutenção do sistema de ventilação impacta o controle da temperatura dentro do carro. Uma revisão científica publicada em 2026 na revista Applied Thermal Engineering, que reuniu 103 estudos sobre as condições internas dos automóveis, apontou que o calor excessivo pode prejudicar o desempenho de quem dirige. Nos experimentos controlados analisados, temperaturas entre 28 °C e 30 °C se associaram a uma queda de 15% a 21% no desempenho em tarefas avaliadas, na comparação com ambientes entre 22 °C e 24 °C.
“Um dos cuidados preventivos relacionados à segurança no trânsito é verificar as condições do filtro de cabine. Quando a filtragem não é adequada, partículas de poeira e poluentes presentes no trânsito podem entrar no veículo. Já o uso prolongado da recirculação do ar, embora reduza a entrada dessas partículas, pode favorecer o acúmulo de gás carbônico liberado pela respiração dos ocupantes. Em concentrações elevadas, esse gás pode contribuir para sonolência, dor de cabeça e dificuldade de concentração, condições que merecem atenção de quem está ao volante”, explica Vittória Gabriela, criadora do Dona Meu Destino.
Sinais de alerta e manutenção preventiva no veículo
Vittória também destaca que, quando o filtro está muito sujo ou obstruído, a distribuição do ar frio pode ficar comprometida. Isso torna o resfriamento do interior do veículo mais demorado e, em algumas situações, prejudica o desembaçamento dos vidros, o que afeta a visibilidade do motorista. “Por isso, é um cuidado que envolve tanto o bem-estar quanto a segurança”, afirma.
Segundo ela, alguns sinais ajudam a identificar a necessidade de revisão. “Cheiro de mofo ao ligar o ar-condicionado, ventilação mais fraca e demora para desembaçar os vidros estão entre os indícios que justificam uma verificação. A troca do filtro costuma ser recomendada entre 10 mil e 15 mil quilômetros ou em intervalos de seis meses a um ano, dependendo do veículo e das condições de uso. A orientação do fabricante deve prevalecer também.”
A especialista acrescenta que a manutenção preventiva vai além do filtro de cabine. Pneus desgastados, palhetas danificadas, alterações na frenagem e luzes de advertência no painel também podem indicar problemas que precisam ser avaliados. “São sinais que o próprio motorista consegue observar, mesmo sem conhecimento aprofundado de mecânica”, diz.
Conhecida por orientar mulheres a cuidar dos próprios carros com mais autonomia e segurança, Vittória lembra que esse conhecimento também ajuda na tomada de decisões sobre manutenção e gastos com reparos. Segundo dados do Ministério dos Transportes, o Brasil reúne mais de 30 milhões de mulheres habilitadas.
“Eu acredito que o Outubro Rosa traz uma mensagem muito importante sobre prevenção, informação e cuidado com nós mesmas. E essa reflexão também pode nos incentivar a observar outros aspectos da nossa rotina que influenciam nosso bem-estar. Quando temos conhecimento, conseguimos tomar decisões melhores, reconhecer sinais de alerta e agir de maneira preventiva”, conclui.